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Paquistão prende 500 manifestantes que protestavam contra censura

06/06 - 14:06 - EFE

Amir Mir Lahore (Paquistão), 6 jun (EFE).- Cerca de 500 opositores do regime do general Pervez Musharraf foram presos desde terça-feira na província de Punjab, no leste do Paquistão, às vésperas de mais protestos convocados pela imprensa contra a nova lei de censura.

A convocação das manifestações está sendo feita por mensagens nos celulares, que agora estão proibidas.

A lei, assinada há dois dias por Musharraf, prevê a suspensão da licença, o fechamento das instalações e a apreensão de equipamentos dos canais de televisão, sites da internet e serviços de informação por celular que divulguem conteúdos considerados impróprios pelo Governo.

A norma é uma emenda à censura aos meios eletrônicos, assinada por Musharraf durante o encerramento das sessões do Parlamento, e que foi o estopim para o início dos protestos dos jornalistas hoje em Islamabad.

Os celulares de muitos paquistaneses tocam "Go, Musharraf, go" ("Vá, Musharraf, vá"), em inglês, quando recebem uma ligação. A palavra de ordem foi popularizada durante os quase três meses de protestos contra o presidente militar.

As manifestações contra o regime começaram em 9 de março, quando o presidente do Tribunal Supremo do Paquistão, Iftikhar Chaudhry, foi afastado do cargo, acusado por Musharraf de abuso de autoridade.

Chaudhry apresentou vários recursos contra a medida e sempre comparece aos tribunais acompanhado por um grupo de advogados.

Posteriormente, as manifestações de apoio ao presidente do Tribunal Supremo se transformaram em um movimento de oposição, ao qual os meios de comunicação aderiram.

Por isso, o regime começou a ameaçá-los e os acusou de "exagerar" na cobertura da crise. Algumas redes de televisão começaram a controlar seus conteúdos, mas mesmo assim sofreram cortes na transmissão.

Embora as manifestações estejam proibidas, o desafio continua.

Amanhã, o sindicato de jornalistas do Punjab convocou protestos contra uma nova norma que restringe liberdades nos meios eletrônicos.

Segundo a Polícia da província, alguns dos presos já foram soltos. Todos pertencem aos partidos dos ex-primeiros-ministros exilados Benazir Bhutto e Nawaz Sharif, além da aliança fundamentalista que é a principal força opositora no Parlamento.

As detenções foram feitas a partir de uma lista de procurados entregue pela secretaria do Interior do Punjab. O secretário, Khushnood Lashari, afirma que o número de presos não passa de 300.

Enquanto isso, os celulares ajudam a divulgar os protestos por meio de mensagens que se multiplicaram nos últimos dias. Alguns convocam as manifestações de amanhã, e outros comentam a situação do país com humor.

Diante da circulação das mensagens, os advogados e opositores que ainda protestam em apoio a Chaudhry devem se unir amanhã à manifestação dos jornalistas.

O juiz continua defendendo sua inocência em audiências diárias na Corte Suprema, que também terá que se pronunciar sobre a lei de censura de Musharraf, após o pedido apresentado hoje por um advogado, porque "viola o direito à informação". EFE am-ja ev pa




 
 

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