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Cientistas descobrem que área do cérebro ajuda a evitar atos involuntários

06/06 - 21:26 - EFE

Londres, 6 jun (EFE).- Cientistas do Reino Unido descobriram que a Área Motora Suplementar (AMS) do cérebro é a responsável por evitar os movimentos involuntários que podemos executar ao reconhecermos objetos e situações que nos são familiares.

Até agora se sabia da responsabilidade desta região, que fica na parte frontal do cérebro, para administrar as ações voluntárias.

Entretanto, ainda não haviam sido encontrados indícios de que regulassem também os atos involuntários que acontecem após os impactos visuais que chegam à mente humana, revela um artigo da revista científica britânica "Neuron".

"Encontramos todos os dias coisas e pessoas que nos são familiares e que produzem atos involuntários em nós", afirma Masud Husain, dos institutos de Neurologia e de Neurociência Cognitiva da Universidade de Londres.

"Por exemplo, quando alguém vê sobre uma mesa uma xícara com a asa voltada para a direita, automaticamente a parte do cérebro que controla o lado direito do corpo é ativada, embora não se queira pegar o objeto", diz o especialista.

É neste momento que entra em ação a Área Motora Suplementar, que faz com que o movimento do braço rumo à xícara não aconteça.

Para chegar a esta explicação aparentemente simples, os especialistas das universidades de Londres e Cardiff (Gales) estudaram o caso incomum de dois pacientes que sofreram pequenos acidentes vasculares cerebrais (AVC) na Área Motora Suplementar.

Os cientistas observaram, então, que estes pacientes apresentavam dificuldades para controlar os movimentos involuntários.

"Os estímulos visuais ativam automaticamente o cérebro, mas esta ativação pode ser cancelada de novo, para evitar que façamos certas coisas dependendo dos objetos que vemos", disse Petroc Sumner, da Universidade de Cardiff.

"Isto ocorre à sombra, inconscientemente. Nos pacientes analisados, no entanto, não encontramos nenhum tipo de cancelamento", acrescentou.

Segundo o especialista, a forma como acontecem estes movimentos involuntários e como são cancelados são as chaves para entender o que nos faz desenvolver certos hábitos e a razão de escolhermos entre executar uma ou outra ação.

A Área Motora Suplementar está também relacionada ao mal de Parkinson e com desordens neurológicas, como a síndrome da vibração de extremidades, na qual algumas extremidades do corpo podem reagir por si mesmas, inclusive contra a vontade da pessoa.

"Antes se achava que a Área Motora Suplementar era mais importante para as ações internas do cérebro - nas quais são tomadas as decisões de atuação - que para as externas, as que reagem diante de estímulos do exterior", disse Husain.

"O que queremos dizer é que parte do controle interno das ações depende da inibição destes hábitos que todos ativamos automaticamente", concluiu. EFE mcs lb/fal




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