05/06 - 23:55 - AFP

Motivados, aguerridos e muito perigosos, os veteranos do Iraque, combatentes da "guerra santa" islâmica, estão sendo considerados o pesadelo para a segurança de vários países, muito mais do que foram seus precursores na guerrilha anti-soviética no Afeganistão nos anos 80.
A perspectiva de ter um soldado americano na mira de um fuzil atraiu nos últimos anos voluntários islâmicos de diversos países, não apenas árabes. Há alguns meses, o fluxo parece ter se desviado para outras frentes, segundo especialistas.
No Líbano, no campo palestino de Nahr al-Bared, cercado e bombardeado desde 20 de maio pelo exército libanês, mas também na Jordânia e na Arábia Saudita, os combatentes islâmicos vindos do Iraque já foram reconhecidos, detidos ou mortos. Mas muitos analistas temem que só possam ser parte de uma vanguarda.
"O que ocontece atualmente (em Nahr al-Bared) faz parte deste fenômeno", explicou à AFP o analista militar libanês Elias Hanna.
"Há entre eles combatentes de guerrilha vindos do Iraque, embora não possa saber um número exato, em Nahr al-Bared ou em outros lugares", acrescentou o general libanês aposentado.
"É uma nova raça de combatentes da guerra santa, mais endurecidos, mais bem treinados e determinados a combater até a morte (...) Para enfrentá-los, terão que ser usados novos métodos, novas ferramentas, combatentes especializados".
Em entrevista recente, o general Achraf Rifi, chefe das Forças libanesas de Segurança do Interior (FSI) declarou que "quem pensa que não será afetado por este fenômeno, está metendo a cabeça sob a terra".
Para o francês Bernard Rougier, especialista em combatentes islâmicos no Líbano, a "grande diferença com o Afeganistão, é que em Peshawar os voluntários árabes eram poucos ou davam apoio logístico à resistência afegã. No Iraque, a maioria deles morre, mas os que sobrevivem são muito mais perigosos".
O especialista teme que os combates entre os islâmicos do Fatah al-Islam e as tropas libanesas, que deixaram até agora um total de 108 mortos, possam incentivar novos voluntários.
"Sempre que há violência envolvendo a guerra santa e confrontos com o exército, o que acontece é a formação de um mito. Cada acontecimento tem sua própria mitologia. Assim, nascem vocações e compromissos na região, o que reforça os que desejam que o Líbano se transforme numa zona de guerra santa".
Até o momento, não é possível calcular o número destes veteranos da "jihad" contra os Estados Unidos no Iraque que estão dispostos a se dividir pelo Oriente Médio e em outros lugares.
O saudita Mohammed al-Massari, que possui um fórum na internet ligado às teses da jihad (Tajdeed.net), disse recentemente ao New York Times: "Há atualmente 50 veteranos do Iraque no Líbano, mas pode estar certo de que há cem vezes mais, 5.000 ou mais, que esperam o melhor momento para agir".
"Um fluxo de combatentes vai e vem (do Iraque) "e o combate se espalhará por todas as partes até que os Estados Unidos desistam".
As derrotas que sofrem em algumas províncias iraquianas podem fazer também que os guerrilheiros migrem para outras zonas de combate, acredita o general Hanna.
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