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Israel rejeita relatório da AI que condena construção de muro na Cisjordânia

04/06 - 03:03 - EFE

Jerusalém, 4 jun (EFE).- Israel rejeitou o relatório divulgado hoje pela Anistia Internacional (AI) que critica duramente a construção do muro de separação na Cisjordânia e pede que o Estado judeu ponha fim às medidas adotadas em relação à população palestina nos territórios ocupados.

O vice-primeiro-ministro israelense, Shimon Peres, disse esta manhã à rádio pública em referência à barreira que se constrói em boa parte da Cisjordânia, que "Israel tem direito de buscar os meios necessários para se defender dos ataques suicidas".

Peres citou como exemplo o começo da atual Intifada palestina, que explodiu em setembro de 2000, quando os atentados suicidas contra ônibus e centros de lazer em Jerusalém aconteciam sem solução aparente.

"Mas a barreira (muro) reduziu quase totalmente este tipo de ataque", justificou o vice-premiê à emissora.

Já o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores israelense, Mark Regev, disse à agência Efe que este texto está sendo estudado e parece ser "uma compilação de antigos relatórios".

"Israel é um país no qual a proteção dos direitos humanos faz parte do centro de nossa experiência política. É um Estado onde a judicatura tem um papel poderoso e independente, e tanto os juízes como os organismos de segurança e os políticos são suscetíveis de crítica", disse Regev.

O porta-voz afirmou que o sistema judiciário e as forças de segurança do Estado judeu trabalham em equilíbrio para impedir "que as organizações terroristas cumpram sua incumbência".

A AI pediu em seu relatório que Israel ponha fim "às apropriações de terra, bloqueios e outras violações do direito internacional" cometidas "sob a ocupação" dos territórios palestinos, que neste mês completa 40 anos.

O texto "Ocupação duradoura: Palestinos sob assédio na Cisjordânia" denuncia os mais de 500 controles militares e bloqueios sofridos diariamente pelos palestinos, assim como os 700 quilômetros de muro que Israel constrói do norte aos sul da Cisjordânia, em sua maioria em terreno palestino, o que constitui "uma flagrante violação do direito internacional".

A AI, que pede ao Estado judeu que interrompa a construção desse muro e destrua as partes já levantadas, denuncia também a "implacável expansão de assentamentos ilegais em terra ocupada", "135 oficialmente reconhecidos" e outros 100 "não autorizados, mas patrocinados pelo Estado e financiados pelo Governo israelense".

Esse conjunto de medidas, de acordo com a AI, "gerou abusos generalizados dos direitos humanos" e "alimentou o ressentimento e a desesperança entre uma população palestina predominantemente jovem e cada vez mais radicalizada".

Tudo isso sem conseguir, por outro lado, levar segurança a israelenses e palestinos. EFE em mh




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