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Anúncio em jornal chinês saúda mães da praça da Paz Celestial

04/06 - 18:35 - Reuters

Por Lindsay Beck PEQUIM (Reuters) - Um anúncio saudando as mães dos estudantes e trabalhadores que morreram na repressão a uma manifestação na Praça da Paz Celestial, em 1989, foi publicado em um jornal do sudoeste da China na segunda-feira, disseram duas testemunhas, em uma rara crítica pública ao massacre.

O anúncio, na parte de baixo direita da página 14 do Chengdu Evening News, dizia: 'Em tributo às fortes mães das vítimas de 4 de junho', disseram à Reuters dois moradores local que viram o jornal.

A polícia está investigando como o anúncio foi parar no jornal, informou um morador que pediu anonimato.

Um editor do jornal e uma autoridade do Partido Comunista local, procurados por telefone, negaram-se a comentar.

Em Hong Kong, cerca de 55 mil pessoas participaram de uma vigília à luz de velas para lembrar os mortos, de acordo com estimativas dos organizadores.

Soldados e tanques do Exército de Libertação Popular esmagaram em 4 de junho de 1989 a manifestação liderada por estudantes na praça, matando centenas, possivelmente milhares de pessoas.

A praça da Paz Celestial estava tranquila na segunda-feira, e a imprensa chinesa não fez referência ao 18o aniversário da sangrenta repressão a uma manifestação pró-democracia naquele local do centro de Pequim.

'Quero dizer aos que afirmam que a praça da Paz Celestial 'pertence a outra era' que, por trás dos altos muros cercados com arames farpados das prisões chinesas, os prisioneiros da Paz Celestial ainda estão sofrendo', disse um ex-preso político, não-identificado, segundo nota enviada por email pela ONG Defensores dos Direitos Humanos Chineses.

O então dirigente comunista Zhao Ziyang foi deposto por se opor à repressão, e o governo qualificou os protestos de 'contra-revolucionários', ou seja, subversivos, definição que o regime ainda resiste em rever.

Bao Tong, que foi um importante assessor de Zhao, disse à Reuters que a China nunca vai esquecer os fatos de 1989.

'Esquecer o 4 de Junho é uma humilhação nacional', disse ele numa rara entrevista, em seu apartamento. 'O 4 de Junho foi uma tragédia não só para a China, mas para toda a humanidade.

Ainda estaremos falando no 4 de Junho dentro de mil anos.'

Na casa onde Zhao viveu com a família sob prisão domiciliar até a morte, em 2005, a presença policial permanece imutável.

'Você não pode entrar, os superiores disseram assim', alertou um guarda.

A praça da Paz Celestial está nesta data repleta dos habituais grupos de turistas chineses e estrangeiros, além de moradores empinando pipas, agentes à paisana e vans da polícia.

No extremo norte da praça, diante do retrato gigante de Mao Tse-tung, a polícia cercou uma mulher, vasculhou sua bolsa e a atirou no compartimento de carga da van, num sinal da rédea curta que ainda existe contra qualquer manifestante na China.

Apesar do empenho dos ativistas, o silêncio dentro da China a respeito daquele período faz com que muitos mal tenham conhecimento do que ocorreu no local.

Um ambulante chamado Zhang, vendendo cópias do Livro Vermelho de Mao, só admitiu se lembrar do aniversário depois de alguma insistência. 'Sei o que você quer dizer', afirmou. 'Mas venho aqui todo dia e não existe nada desse tipo agora.'

'Não tenho idéia do que você está falando', disse outra mulher, de 26 anos, que veio de Xiamen (sul) com o marido e um bebê para visitar a capital.

A única pista na imprensa, rigidamente controlada pelo Estado, foi um artigo no sábado no Diário da Juventude com elogios aos heróicos policiais que mantêm a ordem e a segurança na praça.

Mas há alguns sinais de que os controles estão ficando mais brandos.

Ding Zilin, que lidera o grupo Mães da praça da Paz Celestial, pôde pela primeira vez depositar flores e realizar uma rápida cerimônia no local em que seu filho foi baleado, segundo o Centro de Informações para os Direitos Humanos e a Democracia, de Hong Kong, onde dezenas de milhares de pessoas devem participar de uma vigília que se repete anualmente à luz de velas.

(Reportagem adicional de Benjamin Kang Lim)





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