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Combates em Nahr al-Bared se estendem para outro campo de refugiados no Líbano

03/06 - 18:03 - AFP

O Exército libanês bombardeou novamente neste domingo o campo palestino de Nahr al-Bared (norte do Líbano), onde estão entrincheirados há duas semanas os islamitas do Fatah al-Islam, embora tenha diminuído a intensidade dos confrontos entre ambos os lados.

Em outro campo de refugiados palestinos, o de Ain Helué, perto de Sidon (sul do Líbano), foi deflagrado mais um enfrentamento entre o Exército libanês e militantes de outro pequeno grupo islâmico, o Jund al-Cham, que deixou cinco feridos - três militares libaneses e dois civis palestinos -, de acordo com uma fonte médica.

Os conflitos começaram quando um membro do Jund al-Cham lançou uma granada contra um posto do Exército, ação que desencadeou tiroteios com metralhadoras. Os tiroteios terminaram por volta das 18h GMT (15h de Brasília).

Os militantes do Jund al-Cham seguiram para entrada norte do campo, onde aconteceram os combates e onde o Exército libanês reforçou sua presença, enviando vários veículos blindados, segundo uma fonte palestina.

Várias dezenas de civis fugiram do campo e buscaram abrigo na localidade portuária próxima de Sidon.

Ain Helué tem 45.000 habitantes e é o campo de refugiados palestinos mais povoado dos 12 existentes em território libanês, onde predominam os seguidores do movimento moderado Fatah, ligado ao presidente palestino, Mahmud Abbas. Na quinta-feira, já tinha sido palco de confrontos entre membros do Fatah e combatentes do Jund al-Cham.

Em 7 de maio, dois militantes do Fatah foram mortos e outros quatro ficaram feridos em outro choque entre ambos os grupos.

Os confrontos em Ain Helué aconteceram no momento em que o Exército libanês enfrenta, desde 20 de maio, os combatentes do Fatah al-Islam, outra organização islâmica, no campo palestino de Nahr al-Bared, no norte do Líbano. Pelo menos 97 pessoas já morreram nestes combates.

Os grupos islamitas reforçaram sua presença nos últimos anos nestes campos, especialmente no de Ain Helué, e mais recentemente, desde o final de 2006, também no de Nah al-Bared, onde o Fatah al-Islam se infiltrou.

Jund al-Cham e Fatah al-Islam são dois grupos salafistas, mas o primeiro é composto de dezenas de combatentes exclusivamente palestinos, enquanto o segundo integra combatentes de diferentes países árabes.

Em relação à situação no campo de Nahr al-Bared, a artilharia libanesa estacionada nas colinas que o cercam disparou cerca de 20 obuses que caíram sobre alguns edifícios e provocaram incêndios.

Esses disparos terminaram às 16h GMT (13h de Brasília), mas depois houve tiroteios com metralhadoras na mesma área, embora de menor intensidade do que nos dias anteriores.

Um porta-voz militar garantiu que "não haverá nenhuma trégua com os milicianos até sua rendição", após os últimos dois dias de enfrentamentos, os mais duros desde o começo dos ataques em Nahr al-Bared.

Diante desta situação, o Exército estreitou o cerco em torno de Nahr al-Bared, avançando até controlar todos os acessos do campo, onde ainda permanecem cerca de 5.000 refugiados. Outros 25.000 aproveitaram a trégua de vários dias para ir embora.

Segundo Abu Imad al Wani, líder militar do Fatah, que apóia o Exército libanês no terreno, a água e os víveres introduzidos no campo durante a trégua estão acabando.

O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, acusou o Fatah al-Islam - que reconhece ter vínculos ideológicos com a Al-Qaeda - de manter "relações com certos serviços de inteligência sírios", o que Damasco nega.

O jornal libanês "An Nahar", ligado ao governo, garantiu, sem citar fontes, que o Fatah al-Islam planeja um grande atentado, "um 11 de Setembro libanês com vistas à proclamação de um Estado islâmico".

sy/tt/sd





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