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Nigéria: seis estrangeiros seqüestrados em instalação da Chevron

02/06 - 10:52 - AFP

Seis estrangeiros, entre eles quatro italianos e uma americano, foram seqüestrados na manhã desta terça-feira durante um ataque contra uma instalação de petróleo da Chevron no sul da Nigéria, assumido pelo Movimento de Emancipação do Delta do Níger (MEND), após um período de calma de quase um mês nessa região extremamente instável.

Em um comunicado, a Chevron destacou que a plataforma FSO (Floating Storage and Offloading) de Oloibiri, ao longo do estado de Bayelsa, foi atacada por homens que se diziam membros do MEND, o maior movimento separatista da região.

O MEND reivindicou, logo em seguida, a operação, em e-mail enviado à imprensa por um de seus porta-vozes. Segundo a Chevron, as forças de segurança nigerianas "sofreram perdas" no ataque.

"Nós tínhamos prometido enviar à administração nigeriana uma mensagem humilhante. É apenas mais um ataque que visa embaraçar o regime", explicou o porta-voz.

"É também uma advertência às novas autoridades, que são a continuação do governo anterior. Continuaremos nossa luta pela justiça", acrescentou, referindo-se às recentes eleições geral dos dias 14 e 21 de abril.

"Os reféns serão libertados em 30 de maio de 2007", afirmou o MEND, destacando que "isto não será possível se as companhias de petróleo e o governo do Estado de Bayelsa não fizerem nada para tentar obter sua libertação pagando resgate".

Em Roma, o ministério italiano dos Assuntos Estrangeiros confirmou o seqüestro de quatro de seus cidadãos, empregados de uma empresa terceirizada da multinacional americana.

Segundo uma fonte diplomática no Nigéria, um dos reféns é americano. O sexto seria de nacionalidade croata, mas a informação não foi confirmada.

O ataque, durante o qual pelo menos um marine nigeriano foi morto, ocorreu às 04H00 da madrugada (meia-noite no Brasil).

Os assaltantes atacaram a plataforma à dinamite, e os trabalhadores expatriados tentaram fugir a bordo de um barco de salvamento, mas foram capturados, segundo várias fontes.

Além disso, na noite passada, a mãe do novo governador do estado de Rivers, outro estado rico em petróleo, foi seqüestrada por um grupo desconhecido numa cidade perto de Port-Harcourt, a capital do estado.

A região, de onde o país tira 95% de sua receita em divisa, é desde 2006 o palco de ataques e seqüestros realizados por grupos armados contra companhias de petróleo e seus funcionários, que afirmam querer uma melhor distribuição das riquezas.

Dezenas de cidadãos estrangeiros, na maioria das vezes empregados de companhias de petróleo, foram seqüestrados desde o início deste ano, mais do que em todo o ano passado. A maioria foi libertada com pagamento de resgate. Dezenas de nigerianos, empregados do petróleo ou militares morreram nessa região.

Estes problemas, que provocaram uma redução de um quarto da produção diária da Nigéria, sexto exportador mundial, em 2006, privaram o país de aproximadamente 4,4 bilhões de dólares.

Sexta-feira, um responsável federal indicou que o país perde atualmente quase 600.000 barris por dia.

Independentemente disso tudo, multinacionais como Shell, Mobil, Chevron e Total indicaram várias vezes que não pretendem deixar a Nigéria.

Fora o seqüestro e a libertação de dois engenheiros turcos, o mês de abril foi relativamente tranqüilo na região, sem dúvida em razão do período eleitoral: os nigerianos votaram dia 14 para eleger os governadores e parlamentares dos 36 estados, e no dia 21 para escolher um novo presidente e renovar as duas câmaras do parlamento federal.

O novo presidente, Umaru Yar'Adua, afirmou que a luta contra as violências no Delta do Níger seria uma de suas prioridades.

bur-jlh/lm





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