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UE poderá voltar a utilizar restos de animais para produzir ração

01/06 - 06:11 - EFE

Londres, 1 jun (EFE).- Cientistas europeus estão fazendo testes para estudar a possibilidade de utilizar restos de porcos e frangos para a alimentação animal, revela hoje o jornal britânico "The Times".

Segundo o jornal, a UE dedicou € 1,7 milhão ao projeto, o primeiro desse tipo desde a epidemia de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da vaca louca. A alimentação de animais com os restos de outros foi proibida no bloco por causa do contágio de centenas de pessoas pela doença, considerada incurável.

O Governo britânico disse ao "Times" que há propostas para relaxar a proibição. Segundo o jornal, granjeiros e fabricantes de alimentos, preocupados com os elevados custos da eliminação dos cadáveres de animais, estão fazendo pressão para mudar as normas.

Um documento do Comitê Econômico e Social da UE informa que a farinha de porco deveria ser liberada para alimentar frangos, e que os restos de frangos deveriam poder ser utilizados para alimentar os porcos.

O Comitê pede que a Comissão Européia (órgão executivo da UE) "acelere os estudos atuais que mostram claramente que a farinha de carne de animais não ruminantes pode ser utilizada para alimentar porcos e aves sem prejuízo para a saúde humana".

A farinha de carne e de ossos representa 50% dos restos dos animais. Ficam ainda 35% de cinzas, 10% de gordura e o resto é água.

Cientistas da UE, entre eles os de dois institutos britânicos, foram encarregados de elaborar testes para identificar os diferentes tipos de farinha de carne que podem ser usados na alimentação animal.

Hugh Pennington, bacteriologista da Universidade de Aberdeen (Escócia) e especialista na doença da vaca louca, alertou para os perigos das experiências.

"Tem que haver um estudo rigoroso de qualquer plano de reintroduzir a farinha de carne na alimentação de porcos e frangos, e de forma totalmente independente", afirmou o cientista.

Ele ressaltou a importância de "analisar o risco de transmissão da gripe e da salmonela do porco para o frango e vice-versa", além de lembrar a dificuldade de "convencer a opinião pública".

A epidemia da vaca louca surgiu quando as vacas, que são herbívoras, passaram a ser alimentadas com restos de outros animais, alguns dos quais estavam doentes.

O uso dos restos de vacas doentes foi identificado pelos especialistas como a causa mais provável da difusão da doença.

Em 1988, a Grã-Bretanha proibiu a alimentação de ruminantes com cadáveres de outros ruminantes. Seis anos mais tarde, a UE proibiu alimentar vacas e ovelhas com carne e osso de outros mamíferos.

Em 1996, o Governo britânico ampliou sua interdição à alimentação de qualquer animal de criação com farinha de carne ou peixe.

Em 2000 a UE permitiu que todos os países-membros vetassem o uso de proteínas de origem animal na alimentação de outros animais.

Agora, no entanto, segundo um documento citado pelo "Times", os custos adicionais criados pela proibição da farinha animal para os granjeiros europeus estão levando a uma revisão da legislação.

Com essa proibição "perdeu-se uma importante fonte de proteínas para a ração e o preço da proteína vegetal disparou devido ao aumento da demanda", diz o relatório. EFE jr mf




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