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Baleias podem ficar em apuros após ameaça do Japão de deixar a CBI

01/06 - 17:18 - AFP

A Comissão Baleeira Internacional (CBI), o único organismo mundial que regula a caça das baleias, pode ruir após a ameaça do Japão de abandonar a entidade, incrementando os temores de uma batalha pela matança destes majestosos cetáceos.

Após uma atribulada reunião anual nesta semana na CBI, o Japão informou que considera seriamente criar um organismo dissidente após fracassar em sua já tradicional campanha para a suspensão de uma moratória sobre a caça comercial de baleias.

Tóquio acusou a CBI de aplicar critérios diferentes, ao permitir aos aborígines de países como Estados Unidos e Rússia a prosseguir com sua caça tradicional e se negar a reconhecer os direitos de suas pequenas comunidades baleeiras tradicionais, que dependem da caça do cetáceo desde o século XVII.

"Esta hipocrisia nos leva a questionar seriamente a natureza com a qual o Japão continuará participando deste fórum", disse o delegado japonês, Joji Morishita.

Polarizada, a CBI se divide entre os países favoráveis à caça, liderados por Japão, Noruega e Islândia, e os contrários, com Brasil, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia à frente.

Nenhum dos dois grupos tem a maioria de três quartos necessária para fazer mudanças nas políticas da comissão, o que deixa o fórum praticamente paralisado.

Pior ainda, a reunião anual em Anchorage, no Alasca (norte), mostrou pela primeira vez os países pró-caça boicotando o processo de votação, em uma resolução que questionou o Japão pelos "aspectos letais" de seu programa científico de baleias.

Embora o Japão tenha ameaçado deixar a comissão várias vezes, esta é a primeira vez que diz oficialmente que poderá criar um novo organismo para rivalizar com a CBI.

"Estamos muito interessados em celebrar uma reunião preparatória para estabelecer uma organização de conservação e organização para as baleias", disse outro delegado japonês, Akira Nakamae. "Pode ser um substituto para a CBI", acrescentou.

O Japão poderá levar consigo até 30 membros da CBI - quase todo o grupo pró-caça - para formar um novo grupo e, se isto acontecer, a comissão perderia sua capacidade de cumprir seu papel primário de regular a caça de baleias.

Japão e Estados Unidos - líderes dos grupos favorável e contrário à caça - são os pilares chaves da comissão.

"A CBI só pode sobreviver se o Japão é membro. Se o Japão partir, a CBI está morta", afirmou Eugene Lapointe, ex-secretário-geral da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagem ameaçadas de extinção (CITES).

Na reunião ficou claro que "há um acordo geral" entre os principais delegados de que "a instituição em si mesma está em risco de extinção", disse, por sua vez, Monica Medina, do grupo ambientalista americano Pew.

Resolver a atual controvérsia sobre a caça comercial é crítico, avaliou.

Enquanto a comissão se polariza, os especialistas se preocupam com o futuro dos grandes mamíferos.

Mais de 30.000 baleias foram assassinadas por motivos comerciais desde a moratória de 1986, muitas delas porque a CBI permite a caça com fins científicos, informou o International Fund for Animal Welfare.

O Japão mata 1.000 baleias ao ano, no âmbito de seu programa científico, e depois vende sua carne.

Neste verão, quer caçar mais 50 baleias jubarte dos grupos que migram ao longo da costa da Austrália e da Nova Zelândia para o Pacífico tropical, o que tem sido questionado pelos dois países e pelos ambientalistas.

O Japão ofereceu a suspensão deste plano, caso seja autorizado seu pedido de caça para as comunidades costeiras, mas a oferta foi rejeitada.

Outros países já estão desafiando a moratória, segundo ambientalistas.

A Noruega continua caçando baleias Minke no Atlântico Norte, graças a uma "objeção" legal interposta contra a moratória, há mais de 20 anos.

A Islândia, que deixou a CBI em 1992 e voltou em 2002 com uma reserva contra a moratória legalmente questionada, retomou sua caça comercial em 2006.

"A preservação das baleias enfrenta atualmente o maior ataque desde a proibição da caça comercial", disse Sue Fisher, da Sociedade de Conservação de Baleias e Golfinhos.

"Os países pró-caça não só querem suspender a proibição para caçar, mas também querem levantar as restrições ao comércio internacional de produtos baleeiros, o que - se fosse permitido - impulsionaria novamente um massacre incontrolável", advertiu.

pp/jkb/mvv





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