01/06 - 18:42 - AFP

A arte latino-americana bateu, nesta semana, seus próprios recordes, impulsionada pela expansão da arte contemporânea e o aparecimento de compradores fora do mercado tradicional, segundo as casas leiloeiras de Nova York, que superaram os 50 milhões de dólares nas vendas desta primavera (boreal).
"Estamos assombrados com os resultados da venda", disse Carmen Melián, diretora do departamento de arte latino-americana da Sotheby's.
Quase 30 artistas bateram seus recordes em três dias de leilões, que se encerraram nesta sexta-feira e totalizaram o maior valor global já alcançado em uma temporada pela arte da América Latina.
O mais espetacular foi a venda do óleo sobre tela "Flores de México", obra de Alfredo Ramos Martínez, vendido por 4,07 milhões de dólares, que pulverizou o recorde anterior do mexicano (Us$1,8 milhão) e desatou aplausos na sala da Christie's.
O preço foi o terceiro mais alto já pago por uma obra da América Latina e coloca Ramos Martínez no segundo lugar, atrás de Frida Kahlo, e à frente dos consagrados Diego Rivera, Rufino Tamayo e Fernando Botero.
Outro recorde notável ficou com o uruguaio Joaquín Torres García, cuja "Composición", de 1932, foi adquirida por um comprador anônimo no valor de 1,2 milhão de dólares.
Várias obras de Fernando Botero, um best-seller inconteste nas casas de leilão, foram vendidas dentro dos valores previstos, como "Mujer desnuda reclinada con libro", por 824.000. Outras obras do colombiano, como "Rapto de Europa" (656.000 dólares), superaram as previsões.
A explosão de vendas latino-americanas confirmou a tendência em elevação da arte contemporânea em geral. No mês passado, uma obra de Mark Rotkho foi arrematada por 72,1 milhões de dólares e outra de Andy Warhol, por US$ 71,7 milhões.
O interesse na região começou há duas décadas e a tendência teve poucos revezes.
"Estamos na presença de interesses que transcenderam outras categorias e compras globalizadas que se aprofundam com cada venda", resumiu Melián.
A próxima temporada de leilões em Nova York será celebrada no outono boreal.
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