Bogotá, 30 mai (EFE).- O Senado brasileiro e a presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, pediram nesta quarta-feira ao Governo venezuelano que reveja a decisão de não renovar a concessão da rede "RCTV", cujo conteúdo poderá passar a ser exibido na Colômbia.
Pelosi criticou em comunicado a decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de não renovar a concessão da "Radio Caracas Televisión", que saiu do ar à meia-noite de domingo. Segundo a legisladora democrata, o objetivo da medida foi "silenciar os críticos".
Chávez "deveria reavaliar esta decisão mal aconselhada", opinou Pelosi. Ela acrescentou que o caso "é exatamente o tipo de ação que suscita preocupação sobre sua liderança".
O embaixador da Venezuela nos EUA Bernardo Álvarez, enviou a Pelosi uma carta de duas páginas, afirmando que "a decisão foi tomada em plena concordância com as leis venezuelanas e não representa uma ameaça aos de comunicação".
Ele também convidou a congressista a visitar a Venezuela e verificar "o vibrante estado dos meios de comunicação e da liberdade de expressão".
Também nos EUA, o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, reafirmou a preocupação da Casa Branca com o respeito ao princípio democrático da liberdade de expressão na Venezuela.
"Obviamente nos preocupa qualquer ação que limite a liberdade de expressão e o direito do povo a obter informação de diversas fontes", disse.
Em Brasília, o Senado aprovou em sessão plenária um "apelo" pela reabertura de "RCTV" e se manifestou "contra" a decisão de Chávez de não renovar a concessão à emissora.
A maioria dos senadores presentes votou a favor do pedido para que Chávez "reveja o fechamento da emissora" de televisão.
O defensor público do Paraguai, Manuel Páez Monges, também considerou hoje um retrocesso na democracia o fim da concessão da "RCTV". Ele aconselhou Chávez a "reconsiderar a sua posição imediatamente" e "garantir a liberdade de imprensa".
Páez anunciou que apresentará à Chancelaria e ao Congresso um pedido para que o Governo do presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, expresse sua opinião sobre o tema.
A Associação de Jornais Colombianos (Andiarios) também se solidarizou com a "RCTV" e sugeriu aos meios de comunicação do país que transmitam os conteúdos do canal.
É de "máxima importância" que todos os meios "ponham à disposição da 'RCTV' os instrumentos e espaços necessários para que o povo venezuelano continue recebendo os seus conteúdos", afirmou a Andiarios, em comunicado divulgado em Bogotá.
As principais emissoras de televisão do Brasil chamaram de "antidemocrática" e "absurda" a não renovação da licença da "RCTV" e criticaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por evitar tomar uma posição sobre o assunto.
Em declarações à Efe, João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, disse que é "inaceitável" "o fechamento" da maior televisão venezuelana após 53 anos ao ar.
Especialistas em direitos humanos afirmaram no México que a não renovação da licença "é uma exceção, não a tendência" na América Latina.
Em Caracas e outras cidades venezuelanas, estudantes voltaram às ruas pelo terceiro dia consecutivo para se manifestar pela liberdade de expressão e contra a decisão oficial. Não houve incidentes.