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Hamas continuará atacando Israel, diz líder do grupo

30/05 - 09:00 - EFE

Londres, 30 mai (EFE).- O Hamas continuará atacando Israel, apesar das fortes represálias por parte dos israelenses, avisa o líder do grupo, Khaled Meshaal, em declarações publicadas hoje pelo jornal inglês "The Guardian".

Entrevistado em Damasco, Meshaal afirmou que os palestinos estão em seu pleno direito de resistir "à agressão sionista", independentemente da eficácia de suas ações.

"Um povo que sofre com uma ocupação não se pergunta se seus meios são eficazes para causar danos ao inimigo", disse.

O líder do Hamas acredita que os ataques contínuos dos palestinos podem acabar afetando todo o Oriente Médio.

"Os palestinos são persistentes, e há muitas formas de resistir, de acordo com as diferentes ocasiões e condições", acrescentou Meshaal.

Atualmente, as principais armas do Hamas são os mísseis artesanais disparados pelo seu braço militar, as Brigadas Ezzedeen al-Qassam.

O líder do grupo reconhece que os palestinos cometeram "erros" e fizeram "apostas ruins". No entanto, responsabiliza principalmente a intervenção estrangeira pelos conflitos internos, especialmente a dos Estados Unidos e de Israel.

Segundo Meshaal, o bloqueio imposto à Autoridade Nacional Palestina (ANP) pelos EUA e pela União Européia (UE), depois que o Hamas venceu democraticamente as eleições de janeiro de 2006, contribuiu para complicar a situação na área.

"Esse bloqueio é um castigo coletivo, e, portanto, um crime. E o crime é ainda mais grave depois do Acordo de Meca (de fevereiro deste ano, quando foi criado um Governo de coalizão entre o Hamas e o Fatah), porque os palestinos acreditavam" que a medida seria suspensa.

"Agora, a comunidade internacional quer destruir o Hamas. Isso produzirá uma revolta frente à ocupação israelense que afetará a estabilidade em toda a região", prevê o líder.

Meshaal rejeita as exigências do Quarteto de Madrid (EUA, UE, ONU e Rússia) para que o Hamas reconheça Israel, abdique da violência e aceite os acordos anteriores com o Estado judeu.

As condições foram aceitas pelo ex-presidente da ANP Yasser Arafat e por seu sucessor, Mahmoud Abbas, atualmente na liderança, sem que Israel tenha se retirado dos territórios ocupados.

Segundo Meshaal, são os palestinos, e não Israel, que precisam de reconhecimento. Para ele, por esse motivo, as reivindicações ocidentais não devem ser cumpridas.

Algumas recentes declarações do Hamas parecem indicar a aceitação da existência de Israel, porém, sem um reconhecimento explícito.

"Aceitamos um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967.

Este é nosso objetivo nacional", afirma Meshaal.

O líder do Hamas é considerado um perigoso terrorista por Israel, cujo ministro da Segurança Interna, Avi Dichter, advertiu, na semana passada, que este e outros dirigentes palestinos podem se transformar em alvo dos israelenses.

Referindo-se ao próximo aniversário da guerra de junho de 1967, na qual Israel ocupou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental, o Sinai egípcio e a Colinas do Golã sírias, Meshaal afirma que a resistência armada acabará triunfando.

"Quem obrigou (Ariel) Sharon a deixar Gaza (em 2005), ou (Ehud) Barak a abandonar o Líbano (em 2000)? É preciso observar o que ocorre no Iraque, onde a maior potência do mundo está afundada em caos diante da resistência iraquiana. O tempo está a favor do povo palestino", afirmou. EFE jr is/pa




 
 

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