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Japão: desemprego cai abaixo dos 4%, o melhor patamar em nove anos

29/05 - 14:09 - AFP

A taxa de desemprego no Japão atingiu em abril o nível mais baixo dos últimos nove anos, 3,8% contra 4% em março, sinal da boa saúde das empresas japonesas e de uma escassez de mão-de-obra quase permanente, segundo estatísticas oficiais publicadas nesta terça-feira.

É freqüente o desemprego recuar em abril no Japão, porque neste mês as empresas contratam jovens diplomados para o início do novo ano orçamentário.

O desemprego caiu bastante na faixa etária de 15-24 anos, passando de 8,9% em março para 7,5% em abril.

O anúncio também surpreendeu os economistas, que esperavam em média que o desemprego se mantivesse estável, segundo pesquisa do jornal econômico Nikkei.

A taxa de abril é a mais baixa desde 1998 (igualmente de 3,8%), e a mais fraca entre os países industrializados do G7.

A Bolsa de Tóquio saudou a boa notícia com uma alta de 0,48% no fechamento, enquanto o iene ganhava força frente ao euro.

O número de desempregados caiu 5,6% em um ano, passando a ser 2,68 milhões. A indústria manufatureira, o comércio varejista, a área da saúde assim como bares e restaurantes foram os principais setores criadores de empregos.

Os dados refletem o dinamismo da segunda economia mundial, que vive seu mais longo período de expansão desde 1945 e cresceu ainda 2,4% ao ano, de janeiro a março.

A maioria das grandes empresas da indústria japonesa, como Canon, Toshiba, Matsushita, Sharp e o grupo Toyota, recentemente considerado o primeiro construtor automobilístico mundial, anunciaram lucros anuais recordes e multiplicam as construções de fábricas.

O recuo do desemprego é também conseqüência da escassez de mão-de-obra, desde dezembro de 2005: no fim de abril, o Japão dispunha de 105 ofertas de emprego, contra 103 ofertas no fim de março.

Esta escassez, que pode ser explicada, em parte, pelo envelhecimento da população, e pela dificuldade de substituir os assalariados que se aposentam, é parcialmente compensada pelo aumento do emprego entre as mulheres: o número de japonesas que trabalham aumentou 420.000 em um ano.

"É possível que as recentes iniciativas de política social, como a que ajuda as mães de família a encontrar trabalho, estejam começando a obter resultado", destacou Richard Jerram, economista da Macquarie Securites.

Segundo Akira Maekawa, economista da UBS, "a tensão crescente sobre o mercado de trabalho vai provavelmente levar a melhores salários no futuro, o que deve sustentar o consumo privado".

A fragilidade do consumo interno foi durante muito tempo tema de preocupação, em uma economia até aqui sobretudo puxada pelo alto volume das exportações e pelos investimentos das empresas.

No entanto, outras estatísticas publicadas nesta terça-feira mostraram que os gastos de consumo médio de uma residência no Japão aumentaram 1,1% em abril com relação ao mesmo mês do ano anterior.

O consumo dos japoneses cresceu sem parar desde janeiro de 2007, após a queda durante o ano 2006.

Esta recuperação aparente do consumo é ainda motivo de inquietação, de inúmeros analistas que consideram estas estatísticas pouco confiáveis.

Estes dados são, inclusive, desmentidos pelos registros das vendas no varejo, que caíram em abril pelo sétimo mês consecutivo (-0,6%).

roc/lm/sd





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