26/05 - 13:51 - AFP

Tropas do ministério do Interior leais ao presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, seguiam para Kiev neste sábado, em meio às negociações entre o chefe de Estado e seu adversário, o primeiro-ministro Viktor Yanukovich.
As negociações tiveram início às 11H00 GMT (08H00 Brasília), informou a porta-voz da presidência Laryssa Mudrak.
Durante a manhã de hoje, o ministério do Interior, fiel ao primeiro-ministro, anunciou que suas tropas "interiores" - unidades utilizadas geralmente para conter distúrbios e proteger instalações estratégicas - estavam a caminho de Kiev.
O contingente em questão é comandado por um homem leal ao presidente Yushchenko.
"Neste 26 de maio (...), unidades das tropas interiores, integradas por milhares de homens, tomaram o caminho de Kiev", afirmou o ministério em seu comunicado.
No total, "são 82 veículos e 2.050 homens", precisou o vice-ministro do Interior, MiKhailo Kornienko, durante entrevista coletiva.
A ordem de deslocamento foi dada pessoalmente pelo comandante das tropas "interiores", Olexander Kijtenko, "apesar da contra-ordem do ministro do Interior", Vassyl Tsushko, leal ao primeiro-ministro, destaca o comunicado do ministério.
Tsushko admitiu que não controla de "fato" estas tropas "interiores", que segundo os meios de comunicação têm 35 mil homens.
O ministro pediu "calma" à população e prometeu que suas forças "não atacarão ninguém", segundo a agência russa Interfax.
Yushchenko confirmou a mobilização das tropas, e disse que a medida foi adotada para "garantir a proteção dos prédios do Estado" e "a ordem pública".
Na sexta-feira, Yushchenko decidiu assumir o controle das tropas do ministério do Interior, o que foi qualificado de "inconstitucional" por Yanukovich.
A crise política na Ucrânia começou no início de abril, quando o presidente ordenou a dissolução do Parlamento, após meses de tensão com a coalizão governamental pró-russa, que impugnou a decisão.
Yanukovich aceitou a realização de eleições legislativas antecipadas, mas o desacordo sobre a data da votação levou a um novo agravamento do conflito esta semana, após o presidente destituir o procurador-geral, ligado ao setor pró-russo.
A escalada preocupa os governos ocidentais, que na sexta-feira pediram calma às duas partes.
ant/LR
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