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CANTV volta ao controle estatal após 16 anos

21/05 - 18:10 - EFE

Caracas, 21 mai (EFE).- A principal empresa de telefonia da Venezuela, a CANTV, voltou hoje ao controle do Estado, que nomeou a nova junta administrativa e prometeu transformar a companhia em um modelo de gestão socialista, após 16 anos de administração privada.

A nova junta, que será presidida pela engenheira Socorro Hernández, foi nomeada durante a assembléia geral da Companhia Anônima Nacional Telefones da Venezuela (CANTV), convocada pelo Estado venezuelano, principal acionista.

A imprensa oposicionista destacou neste domingo que Hernández "tem o mérito de ter sido a líder da equipe que recuperou o cérebro eletrônico da estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) depois da greve" nacional contra o Governo de Hugo Chávez, entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003.

O Estado venezuelano adquiriu 86,21% das ações da CANTV após fechar com sucesso, em 8 de maio, uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) lançada nas bolsas de Nova York e Caracas, o que representou o desembolso de US$ 1,6 bilhão.

No fim da assembléia, o ministro de Telecomunicações, Jesse Chacón, afirmou que a CANTV "aumentará em dois anos o cabo de fibra óptica e passará dos 7 mil quilômetros atuais para 20 mil quilômetros", o maior da América do Sul em relação à extensão do país.

Chacón lembrou que, em 2008, a CANTV receberá um forte impulso com o lançamento do satélite Simón Bolívar, que está sendo construído na China. O equipamento permitirá a "cobertura total do território". Ele acrescentou que os venezuelanos vão perceber os benefícios da socialização da empresa "na qualidade e cobertura do serviço, e nas tarifas".

A OPA sobre a CANTV foi definida pela decisão do presidente Chávez, anunciada dia 8 de janeiro, de que o Estado retomará o controle de empresas privadas que operam ou trabalham em setores considerados "estratégicos para a segurança e a soberania da nação".

O presidente disse que, em situações críticas do passado, a CANTV desempenhou trabalhos de desestabilização e chegou a gravar conversas suas, algo de que a última direção se desvinculou. O ministro garantiu que Chávez assistirá amanhã ao ato de posse da nova junta administrativa.

A CANTV era estatal, mas foi vendida em 1991 a capitais estrangeiros ao ser atingida pela avalanche de privatizações que organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) promoveram na América Latina.

Até a OPA, a CANTV era a maior empresa privada da Venezuela e seu volume de negócios só era superado pelo grupo estatal PDVSA.

A empresa domina 78% do serviço de internet e possui mais de quatro milhões de assinantes em telefonia celular, através da filial Movilnet.

Segundo o Conatel, órgão governamental que regula o setor, na Venezuela - país com 26 milhões de habitantes - há 19,6 milhões de usuários de telefonia móvel (41,5% da Movilnet), 4,28 milhões de telefonia fixa e cerca de 763 mil de internet (78,9% de banda larga e 21,1% de acesso discado).

A tomada de controle pelo Governo de setores estratégicos se estendeu também às empresas elétricas e aos remanescentes da indústria petrolífera.

O Governo comprou pacotes de ações majoritárias de La Electricidad de Caracas - maior empresa privada do setor - e criou companhias mistas com capital estrangeiro, das quais é dono de 60% das ações, para explorar áreas da Faixa do Orinoco - a maior reserva de hidrocarbonetos do mundo.




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