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Thomson-Reuters, novo gigante da informação financeira

15/05 - 16:01 - AFP

O grupo britânico Reuters aceitou nesta terça-feira a proposta de compra de seu concorrente canadense Thomson por cerca de 13 bilhões de euros, para criar o número um mundial da informação financeira e, assim, superar a americana Bloomberg.

O projeto foi validado pela Reuters Founders Share Company, que tem o poder de bloquear qualquer ação do grupo para defender sua independência editorial, mas continua esperando a aprovação dos acionistas da Reuters e, sobretudo, das autoridades da concorrência, indicaram os dois grupos em um comunicado.

Em caso de carta branca, a holding Woodbridge da família Thomson, que possui 70% do grupo canadense, terá 53% da nova empresa, os outros acionistas atuais da Thomson, 23%, e os da Reuters, 24%. Tom Glocer, diretor-geral da Reuters, assumirá a direção do novo grupo. Na presidência, ficará David Thomson, atual presidente da Thomson.

Mas as questões de regulamentação "são o principal obstáculo a ser superado", destacou Charles Peacock, da corretora Seymour Pierce.

Se o negócio for fechado, a Thomson-Reuters, que continuará cotada nas Bolsas de Toronto e Londres, ficará com 34% do mercado mundial da informação financeira, contra 33% da Bloomberg. A nova empresa pesará aproximadamente 11 bilhões de dólares em faturamento e empregará cerca de 49.000 pessoas, segundo cálculos com base nos efetivos atuais.

Tom Glocer negou que a operação criaria uma situação de "bipolaridade", mas alguns falam no aumento das tarifas.

"O mercado não será dominado por dois atores, porque ainda existe pelo menos 20 outros concorrentes", declarou em entrevista à imprensa, acrescentando que "todos os clientes com que falei acreditam que a operação reforçará a concorrência".

"A transação será evidentemente examinada pelas autoridades de regulamentação dos mercados, mas os obstáculos não são insuperáveis. As cessões de ativos que deverão ser exigidas não devem chegar a impedir o negócio", considerou por sua vez Lorna Tilbian, analista da Numis Securities.

O grupo canadense propôs comprar a Reuters por 8,7 bilhões de libras (12,7 bilhões de euros) em dinheiro e em ações. A ação da Reuters fechou em alta de 3,39% a 626 pence nesta terça-feira, contra mais de 1.600 pence no auge da bolha tecnológica de março de 2000.

O setor da informação econômica está em plena fase de consolidação, num contexto de explosão da atividade e dos ganhos financeiros.

O magnata das mídias Rupert Murdoch lançou há duas semanas uma oferta de 5 bilhões de dólares pelo grupo americano Dow Jones, proprietário do Wall Street Journal, e o editor da Lloyd's List, Informa, comprou segunda-feira o fornecedor de dados Datamonitor por 734 milhões de euros.

A Thomson e a Reuters ressaltaram a "lógica irrefutável" de sua união, o primeiro sendo especializado nas bases de dados enquanto o segundo fornece sobretudo informações em tempo real (preços das ações, das divisas, das matérias-primas, etc.), aos bancos, fundos de investimentos e corretoras.

Mas se ele tirar 90% de suas rendas dos serviços financeiros, a Reuters é, sobretudo, conhecida no mundo como agência de notícias, com 2.400 jornalistas em 131 países. Desta forma, a operação deve beneficiar principalmente o canadense ampliando a rede da Thomson Financial na América do Norte e, na Europa, a da AFX News, agência especializada comprada ano passado da AFP.

Os dois grupos esperam economizar 500 milhões de dólares sobre seus custos de funcionamento ao final de três anos, o que gera temores de cortes de empregos. "Haverá inevitavelmente ajustes para os que fazem os mesmos trabalhos, mas isto ainda não foi planejado", indicou Glocer.

ppy/fp/lm





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