15/05 - 10:21 - AFP

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) acusou Israel de "transformar" Jerusalém em detrimento dos palestinos que vivem na zona leste da cidade, em um relatório confidencial publicado na edição desta terça-feira do jornal International Herald Tribune.
De acordo com o texto, Israel utiliza sua posição de potência ocupante para "impulsionar seus próprios interesses ou os de sua população em detrimento dos habitantes do território ocupado", o que é contrário às bases "do direito humanitário relativo à ocupação".
Depois da guerra de 1967, Israel conquistou e anexou o setor oriental de Jerusalém, habitado por palestinos, e em 1980 proclamou que a cidade era a "capital eterna e indivisível" do Estado hebreu, criado em 1948.
Esta anexação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional, que considera Jerusalém Oriental um território ocupado, assim como as áreas da Cisjordânia sob controle israelense.
No relatório, o CICV critica Israel pelo fato de realizar uma política que tenta "mudar a aparência de Jerusalém, um ato cujas conseqüências humanitárias são graves".
Entre outros dados, o texto cita a construção da barreira de segurança ao redor da cidade, que inclui em seu perímetro importantes colônias situadas fora das fronteiras municipais, assim como a criação de uma rede de estradas que liga os bairros judeus de Jerusalém aos assentamentos situados dentro e fora da cidade.
Com esta política, Israel isola bairros palestinos, corta Jerusalém Oriental do restante da Cisjordânia e aumenta os obstáculos da população para acessar os serviços básicos, como hospitais e escolas.
Em Genebra, o porta-voz do CICV, Vincent Lusser, afirmou à AFP que os trechos publicados constam de um informe confidencial transmitido em fevereiro de 2007 às autoridades israelenses e a um número limitado de governos, sem anunciar quais.
"Se trata de um relatório elaborado durante meses e centrado nas conseqüências da ocupação de Jerusalém Oriental por parte de Israel e de sua incompatibilidade com o direito humanitário", afirmou Lusser, que lamentou a publicação do texto que deveria permanecer confidencial.
cls-bl/fp
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