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Israel e o polêmico festejo dos 40 anos da "reunificação" de Jerusalém

14/05 - 15:31 - EFE

Jerusalém, 14 mai (EFE).- Israel prepara-se para comemorar um controvertido aniversário: o da "reunificação" de Jerusalém, ou a anexação da parte leste da cidade sagrada para as três grandes religiões monoteístas, um setor de maioria árabe que até a Guerra dos Seis Dias, em 1967, era controlado pela Jordânia.

Os festejos começam hoje com um ato na Sala de Tapeçaria de Mark Chagall na Knesset (Parlamento), que representa os marcos da história do povo judeu até a independência do Estado de Israel, em 1948.

No ato, porém, brilham por sua ausência os embaixadores dos Estados Unidos, o principal aliado de Israel na política internacional, e dos países da União Européia (UE).

"Israel festeja o quadragésimo aniversário da unificação de Jerusalém, capital eterna de Israel e do povo judeu, e isto não depende da posição das nações do mundo", afirma comunicado da ministra de Assuntos Exteriores, Tzipi Livni.

As principais celebrações começarão nesta terça-feira à noite e continuarão no dia seguinte.

A parte leste da cidade foi tomada da Jordânia no conflito de 1967 e oficialmente, para Israel, incorporada ao território do Estado judeu pela "Lei Básica" aprovada em 1980, segundo a qual "Jerusalém, completa e unida, é a capital de Israel".

A comunidade internacional, porém, considera que a anexação da região da cidade de maioria árabe, e até a guerra dos Seis Dias parte da Cisjordânia dentro do país vizinho, foi um ato unilateral e ilegal.

Embora a Jordânia tenha, em 1988, aberto mão de qualquer ligação administrativa com a Cisjordânia, os setores palestinos mais moderados reivindicam Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado. Os mais radicais não admitem sequer a existência de um Estado judeu no Oriente Médio.

A situação complica-se ainda mais porque ficam na parte oriental de Jerusalém, dentro da Cidade Antiga, locais sagrados para as três principais religiões monoteístas.

Trata-se principalmente do Santo Sepulcro (para os cristãos), do Muro das Lamentações (para os judeus) e das mesquitas de Al-Aqsa e do Domo da Rocha (para os muçulmanos), no mesmo lugar onde ficavam os antigos templos judaicos.

Os judeus israelenses referem-se à "reunificação" pois Jerusalém, em cuja Cidade Antiga (parte amuralhada) moravam milhares de judeus com suas sinagogas junto às mesquitas e igrejas dos palestinos, permaneceu dividida entre 1948 e 1967.

Durante esses 19 anos em que Jerusalém Oriental ficou sob controle jordaniano, os israelenses não tinham acesso os locais sagrados da parte antiga da cidade.

"Jerusalém não será dividida. Temos que fortalecer o vínculo entre o povo judeu e a cidade, e simultaneamente, tentar convencer a comunidade internacional sobre isso", afirmou Livni.

A Cidade Santa é também a maior urbe de Israel, com aproximadamente 700.000 habitantes. Destes, mais de 260.000 são árabes.

Em 1947, em sessão presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, a Assembléia Geral da ONU aprovou um plano para dividir a Palestina histórica, então sob domínio britânico, em dois Estados: um judeu e um árabe. Jerusalém seria uma cidade internacional.

Entretanto, o status da cidade acabou sendo definido em conflitos envolvendo grupos guerrilheiros e Exércitos antes e depois da fundação do Estado de Israel, que foi atacado por seus vizinhos horas depois da declaração de sua independência.

Ao contrário dos palestinos que moram na Cisjordânia - território que, ao contrário de Jerusalém Oriental, Israel admite estar sob ocupação -, os habitantes da parte oriental da Cidade Santa usufruem de uma série de benefícios, como serviços médicos e sociais israelenses.

Poucos, porém, aceitaram a cidadania israelense oferecida pelo Estado judeu. Por outra parte, os bairros do leste da cidade estão muito longe de receber serviços municipais da mesma qualidade do que os da parte oeste, que ficou dentro do território israelense desde 1948 e cuja imensa maioria da população é judaica.

Pesquisa recente do Instituto de Estudos de Israel, com sede em Jerusalém, apontou que 57% dos israelenses estão dispostos a fazer "concessões" aos palestinos na cidade em troca de paz. Entretanto, 92% consideram que as autoridades devem garantir nela a presença de uma ampla maioria judaica.

Outra pesquisa apontou que, em 2020, os membros da coletividade árabe representarão 40% dos habitantes de Jerusalém. EFE ez ep




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