Buenos Aires, 7 mai (EFE).- Cerca de 400 crianças acompanhadas por seus professores começaram hoje uma marcha de 4.
600 quilômetros por seis províncias da Argentina para denunciar que "a fome é um crime", e exigir que os menores não sofram com a pobreza.
A manifestação, que terminará em Buenos Aires e é a quarta organizada pelo Movimento Nacional das Crianças do Povo, começou na cidade de Puerto Iguazú, na tríplice fronteira com Brasil e Paraguai, com um ato que teve a presença de meninos da comunidade guarani paraguaia Fortín Mbororé.
"Há na América Latina 250 milhões de pobres, e a maioria é de crianças e jovens: assim o futuro é mutilado", afirmou Carlos Chile, dirigente do Movimento Territorial de Libertação, uma das 300 organizações sociais que apóiam a manifestação.
"Nosso único objetivo é instalar na consciência da sociedade que a fome é um crime", acrescentou.
A Argentina "está sangrando (...). Mais da metade dos menores de 18 anos se encontram na pobreza, e dezenas de menores de 5 anos morrem por dia por causa da miséria", afirmou Alberto Morlachetti, coordenador do Movimento Nacional das Crianças do Povo.
Em comunicado, Morlachetti reiterou que "a fome é um crime", porque na Argentina "não faltam riquezas, nem alimentos nem pratos" para atender às crianças carentes.
"Faltam, por outro lado, a vontade política, a imaginação institucional, a compreensão cultural e a vontade de construir uma sociedade de semelhantes", denunciou.
As crianças e seus professores passarão por localidades das províncias de Misiones, Corrientes, Chaco e Formosa, no nordeste do país, onde 45,7% da população é indigente, segundo as estatísticas oficiais de 2006.
A manifestação continuará pelas províncias de Santa Fé e Buenos Aires, onde a indigência afeta cerca de 23% da população, até chegar, no dia 18 de maio, à Praça de Maio da capital, em frente à Casa Rosada (sede do Governo), onde acabará com um ato público. EFE alm ep