Anne Leroux Paris, 6 mai (EFE).- O conservador Nicolas Sarkozy prometeu hoje ser "o presidente de todos os franceses" após sua vitória sobre a socialista Ségolène Royal no segundo turno das eleições, marcadas pela participação em massa da população e a chegada de uma nova geração ao Palácio do Eliseu.
"Não é a vitória de uma França contra outra, mas da democracia", afirmou o presidente eleito, de 52 anos, ao convidar todos seus compatriotas a se unir a ele para recolocar a França "em movimento" e tornar realidade a "mudança" que o candidato da "ruptura" prometeu durante a campanha eleitoral.
Em discurso para seus seguidores - que antecedeu um jantar e uma festa popular para celebrar a vitória - Sarkozy reafirmou a vontade de restabelecer os valores de "trabalho, respeito e mérito", assim como a "identidade nacional".
Com mais de 95,16% dos votos apurados, Sarkozy obteve 53,21%, com participação de 85,78%, uma das mais altas da V República, da qual ele será o sexto presidente.
Ségolène Royal, de 53 anos, que perdeu sua aposta de ser a primeira presidente da França, desejou a seu ex-rival que "cumpra sua missão a serviço de todos os franceses".
Diante de seus eleitores, que lhe interrompiam cantando "obrigada, Ségolène", afirmou que "algo se levantou e não será detido".
Sorridente, a candidata derrotada disse que assumirá "a responsabilidade" que agora lhe compete e prometeu continuar "a renovação da esquerda", insinuando que planeja dirigir os socialistas nas eleições Legislativas do próximo mês.
Com a vitória de Sarkozy, a esquerda contabiliza três derrotas consecutivas nas eleições presidenciais, mas já se concentra no pleito legislativo de 10 e 17 de junho.
O líder do Partido Socialista (PS), companheiro de Royal e pai de seus quatro filhos, François Hollande, disse que "a esquerda e os socialistas devem se unir para convencer os franceses" para as eleições legislativas e "voltar a fundar a esquerda, ampliá-la, abri-la".
A vitória de Sarkozy consagra a superioridade da direita na vida política na França desde o fim da era do socialista François Mitterrand (1981-95).
François Fillon, conselheiro político cujo nome é cotado para primeiro-ministro, informou que o chefe de Estado, Jacques Chirac, ligou para o vencedor para parabenizá-lo. O presidente em fim de mandato entregará o Palácio do Eliseu a Sarkozy no dia 16 de maio.
O presidente americano, George W. Bush, também ligou para Sarkozy para felicitá-lo.
Com tom grave e presidencial em seu discurso de vitória, Sarkozy deu a mão a seus compatriotas e lançou mensagens aos principais aliados da França depois que a política externa esteve quase ausente da campanha eleitoral.
A França "está outra vez na Europa", afirmou o presidente eleito, que disse que suas primeiras viagens serão para Bruxelas e Alemanha - país que este semestre ostenta a Presidência da União Européia - para tentar relançar a ampliação da UE, paralisada desde que a França e a Holanda se opuseram à Constituição, em 2005.
Sarkozy disse "aos amigos americanos" que a França "estará a seu lado quando precisarem, embora a amizade também signifique pensar de maneira diferente", e pediu aos EUA que liderem o combate à mudança climática, que será sua própria luta.
Defendeu novamente a criação de uma União Mediterrânea, entre os povos das duas margens do mar para promover "um sonho de paz e civilização", prometeu à África que a França ajudará em seu desenvolvimento e reafirmou sua ambição por uma "imigração controlada".
Partidário da "imigração escolhida" e de endurecer as condições do reagrupamento familiar de imigrantes, Sarkozy gerou uma grande polêmica durante a campanha ao propor a criação de um Ministério da Imigração e Identidade Nacional.
Ele foi acusado de querer reconquistar os eleitores do ultradireitista Jean-Marie Le Pen, de quem conseguiu os votos de cerca de dois terços do eleitorado, apesar de o líder da Frente Nacional ter pedido abstenção "em massa" no segundo turno.
Sarkozy teria obtido a mesma quantidade de votos que Royal entre os quase sete milhões de eleitores do líder centrista, François Bayrou.
Como "cidadão", Bayrou parabenizou hoje Sarkozy por sua vitória e reafirmou a vontade de criar um novo partido, o Movimento Democrata, para forçar a recomposição do cenário político nas eleições legislativas e preparar o pleito presidencial de 2012. EFE al jfc/dgr