02/05 - 13:09, atualizada às 14:28 02/05 - AFP

WASHINGTON - O presidente George W. Bush disse nesta quarta-feira que sua disputa com os democratas sobre a guerra no Iraque entrou numa "nova fase" e deixou entrever que aceitaria "objetivos" para o avanço, mas não uma agenda de retirada de tropas.
No dia seguinte de vetar uma lei que vinculava a liberação de recursos a uma agenda para a retirada de tropas, Bush disse que "essa etapa do processo está concluída e começa uma nova".
"Confio que com a boa vontade de ambas as partes possamos avançar mais além das declarações políticas e estabelecer uma lei que dê recursos a nossas tropas e a flexibilidade necessária para que façam seu trabalho", acrescentou.
Veto
O veto desta segunda-feira aconteceu após sua chegada à Casa Branca, depois de uma visita à Flórida, e poucas horas após o projeto de lei, patrocinado pela maioria democrata no Congresso, chegar a seu escritório.
Esta é a segunda ocasião em que o presidente veta um projeto de lei, depois da proibição, em 2006, de uma medida que aumentaria as verbas federais para a pesquisa com células-tronco procedentes de embriões.
Bush assegurou, durante sua passagem pela Flórida, que fixar um calendário para saída das tropas semearia o "caos" no Iraque. "O sucesso no Iraque é essencial para a segurança dos povos livres em todas partes", afirmou o presidente em uma conferência de dirigentes dos países que participam da coalizão militar no país árabe.
Durante sua visita a Tampa (Flórida), Bush também esteve no quartel-general do Comando Central, responsável pelas guerras no Iraque e no Afeganistão.
O discurso coincide com o quarto aniversário da proclamação da vitória nas principais operações militares no Iraque, em maio de 2003, a bordo de um porta-aviões em águas de San Diego.
Com o tempo, aquele discurso ficou conhecido - sarcasticamente - como o da "missão cumprida", em alusão à grande faixa com esses dizeres que a Casa Branca mandou pendurar da torre de comando do porta-aviões enquanto o presidente discursava.
Projeto de lei
O projeto de lei atrela a destinação de verbas para as campanhas no Iraque e no Afeganistão a um calendário de retirada do país árabe, que deveria ser completada até 1 de outubro de 2008.
O Congresso, de maioria democrata, aprovou esse projeto de lei na semana passada, prevendo a alocação de 124 bilhões de dólares para a guerra.
O líder democrata no Senado, Harry Reid, e a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, assinaram hoje o projeto de lei e o enviaram imediatamente à Casa Branca.
Após a assinatura do projeto, Reid assegurou que a medida é "extremamente importante" e que um veto significa "negar recursos às tropas".
"Precisamos de uma mudança de rumo na guerra", acrescentou Reid. Já Pelosi pediu a Bush que sancione o projeto e "escute os americanos" que desejam uma mudança de direção no conflito.
Cerca de 3.300 soldados americanos morreram nos quatro anos de guerra no Iraque.
O presidente americano garante que executará veto após veto, se o Congresso insistir em enviar medidas que contenham qualquer tipo de calendário de retirada do território iraquiano.
Alguns pré-candidatos presidenciais democratas, como Joe Biden, se declaram partidários de seguir adiante com a imposição de calendários. Outros consideram que uma solução intermediária poderia ser a redação de um novo projeto de lei que abandone o calendário de retirada, mas requeira o cumprimento, por parte do Governo iraquiano, de uma série de medidas para estabilizar o país.
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