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Tony Blair, o anjo caído da política britânica

27/04 - 11:19 - AFP

Tony Blair, renovador do Partido Trabalhista e símbolo das reformas na Grã-Bretanha, está completando agora uma década no poder.

O premier britânico mais jovem do século - e um dos mais populares - chegou ao cargo com apenas 43 anos em maio de 1997, mas se atrapalhou com as lutas internas de seu partido depois de ter gasto todo seu capital de confiança com o apoio dado à guerra no Iraque, conforme analisou Ben Page, diretor do instituto de pesquisas Mori.

Advogado dinâmico e proveniente de uma família de classe média alta, Blair entrou para o Parlamento com 30 anos, em 1983. Deputado enérgico e ambicioso, foi eleito líder dos trabalhistas em 1994.

Depois da repentina morte do líder trabalhista John Smith, as duas esperanças do partido, Tony Blair e Gordon Brown, dividiram o poder. Em 1997, Tony passou a ocupar o número 10 da Downing Street, e Gordon assumiu a pasta das finanças do reino.

Blair avançou na política armado de uma idéia simples (e simplista para seus detratores): a modernização.

Primeiro buscou a modernização do programa da esquerda trabalhista, onde rompeu os vínculos com os sindicatos e os obrigou a aceitar totalmente os princípios do livre mercado.

Depois investiu na modernização do país, para o que desembolsou milhares de milhões de libras para os setores abandonados da educação, saúde e transporte.

O legado de Blair inclui, entre outras coisas, a regionalização, a independência do Banco da Inglaterra, a autorização do casamento homossexual e o acordo de Sexta-Feira Santa na Irlanda do Norte, em 1998.

Trata-se de um balanço polêmico dentro de seu partido, que deixou a esquerda do mesmo lado que seus adversários em temas sensíveis como a imigração, a polícia e a justiça.

No exterior, Blair implementou suas idéias intervencionistas bem antes de 2001, primeiro em Kosovo e depois em Serra Leoa. Lutou também por aproximar a Grã-Bretanha de seus sócios europeus, mas fracassou em substituir a libra esterlina pelo euro.

Depois, de 1983 e 1994, a terceira grande virada na vida do primeiro-ministro aconteceu em 2003.

Ao decidir se associa sem reservas à invasão no Iraque liderada pelos Estados Unidos e apoiada por outros aliados de menor peso, na ausência de uma resolução das Nações Unidas, ele se afastou da esquerda e empurrou para as ruas milhões de britânicos contrários ao papel britânico nessa guerra.

O profundo desacordo do país com a intervenção no Iraque se agravou com o suicídio do especialistas em armamento David Kelly, considerado a fonte das revelações da BBC segundo as quais o governo exagerou a ameaça representada por Saddam Hussein para justificar a entrada na guerra.

Apesar de a aventura no Iraque não ser a única fonte de críticas, os trabalhistas conseguiram um histórico terceiro mandato consecutivo em 2005, mas o premier não aproveitou o triunfo para ganhar terreno e sofreu sua primeira derrota no parlamento em oito anos, em outubro de 2005.

Cada vez mais pressionado, Blair acabou fixando a data de sua partida do poder em setembro de 2006.

Com apenas 53 anos e quatro filhos (6 a 22 anos), frutos de seu casamento com Cherie - tão apaixonada por política quanto ele -, Blair sempre evitou revelar quais seriam seus próximos passos, talvez por temor de que o mundo pense que, por um só instante que fosse, ele pensou em deixar o poder.

cs/cn





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