Beirute, 26 abr (EFE).- O seqüestro de dois libaneses sunitas em Beirute, supostamente por um clã xiita, aumentou o temor de um aumento da violência sectária no Líbano em meio a uma grave crise política.
Na segunda-feira, Ziad Kabalan, de 25 anos, e Ziad Ghandur, de apenas 12, moradores do bairro sunita Wata Museitbe de Beirute, desapareceram. O carro em que estavam foi localizado posteriormente em uma área residencial de maioria xiita.
Após a divulgação da notícia, a tensão aumentou em Wata Museitbe, palco de confrontos entre sunitas e xiitas em 25 de janeiro, após um incidente na Universidade Árabe de Beirute em que três pessoas morreram.
A imprensa libanesa afirma que membros da família Chamas, parentes de um dos mortos da universidade, estão por trás do seqüestro do jovem e do menor.
É a primeira vez que uma pessoa tão jovem é seqüestrada no Líbano, já que mesmo durante a guerra civil, entre 1975 e 1990, os menores raptados eram imediatamente libertados.
A família Chamas negou o envolvimento no seqüestro, condenado unanimemente por todos os líderes políticos libaneses das várias ideologias e credos religiosos.
Os representantes políticos exigiram uma "solução imediata" para o seqüestro.
O ministro do Interior, Hassan Saba, divulgou na noite de quarta-feira um comunicado desmentindo todos os rumores relativos ao seqüestro e afirmou que as Forças de Segurança do país não medem esforços para encontrar os desaparecidos e esclarecer o caso.
Saba também afirmou que estão trabalhando para preservar a segurança dos libaneses, que perseguirão os que ameaçam a ordem pública, e pediu aos cidadãos que não se deixem levar pelos rumores que visam a "aumentar a tensão e provocar reações emocionadas".
"Aqueles que tentam semear a discórdia servem aos interesses dos inimigos do Líbano, que são os únicos que se beneficiam da situação", acrescentou Saba.
O Exército libanês reforçou suas posições em Wata Museitbe com o envio de uma unidade policial adicional.
Como conseqüência do seqüestro, alguns libaneses não permitem que seus filhos freqüentem o colégio temendo um aumento da violência.
Desde novembro o Líbano está imerso em uma grave crise política, após o fim do conflito com Israel ocorrido entre julho e agosto de 2006.
A crise também está motivada pela renúncia de seis ministros da oposição, cinco deles xiitas, que desde que abandonaram o cargo mantêm um protesto simbólico no centro de Beirute para exigir a formação de um Governo de união nacional. EFE ks-mb ev/dgr