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Familiares se revoltam com imagens de atirador

19/04 - 09:19, atualizada às 16:35 19/04 - Redação com agências

BLACKSBURG - Alguns familiares de vítimas do massacre ocorrido na Virginia Tech (EUA) cancelaram as entrevistas que concederiam à NBC na quinta-feira porque o canal divulgou um vídeo e fotos do assassino recebidos pelo correio.

  • Veja fotos enviadas pelo atirador
  • Veja vídeo enviado pelo atirador  
  • Blog do Alon: Argumento fora de lugar 

     

    Os policiais encarregados da investigação sobre o episódio também se mostraram desapontados com o fato de terem sido levadas ao ar as imagens e as declarações de Cho Seung-Hui, que matou 32 pessoas antes de se suicidar, na segunda-feira, no pior massacre do tipo ocorrido na história moderna dos EUA.

    'Pretendíamos conversar com alguns parentes de vítimas esta manhã, mas eles cancelaram sua participação porque ficaram indignados com o fato de a NBC ter divulgado as imagens', afirmou Meredith Vieira, co-apresentadora do programa 'Today', do canal.

    O canal de TV reconheceu que o material enviado por Cho poderia abalar as famílias das vítimas e descreveu como sua área de jornalismo ficou dividida sobre se deveria ou não divulgar as imagens.

    Mas o presidente da NBC News, Steve Capus, defendeu a decisão tomada pela rede, argumentando que apenas uma pequena parte do material foi ao ar.

    'Acredito que isso é o mais perto que vamos chegar do interior da mente de um assassino. E eu achei que isso deveria ser divulgado', afirmou na MSNBC.

    'Quase todas as redes de notícias do mundo todo chegaram à mesma conclusão, a conclusão de que era apropriado divulgar essas informações.'

    A rede de TV afirmou ter entrado em contato com as autoridades assim que recebeu o pacote, na quarta-feira.

    Steve Flaherty, superintendente da polícia estadual da Virgínia, disse em uma entrevista coletiva concedida na quinta-feira que os investigadores agradeciam à NBC por sua colaboração.

    No entanto, acrescentou: 'Ficamos bastante desapontados com a decisão editorial de divulgar essas imagens perturbadoras.' Segundo Flaherty, o pacote entregue pela rede não revelou muitas informações além daquelas já conhecida'.

    Estudantes revoltados

    Estudantes manifestaram aversão e descrença diante das fotos e do vídeo raivoso enviado a um rede de televisão pelo homem que massacrou 32 pessoas na universidade Virginia Tech.

    Meia dúzia de estudantes da universidade reuniram-se em silêncio ao redor de televisões no centro estudantil no final da quarta-feira vendo as imagens de Cho Seung-Hui posando com suas armas e o vídeo em que ele vocifera contra crianças ricas e contra a libertinagem.

    O pacote recebido pela NBC News na quarta-feira tinha dados mostrando que Cho colocou o material no correio depois que matou as duas primeiras vítimas na manhã de segunda-feira, antes de matar mais 30 pessoas nas salas de aula.

    'Isso é louco. Ele mata duas pessoas e depois vai ao correio, e depois está pronto para a segunda rodada? Isso é pavoroso', disse o estudante Nick Jeremiah, 34.

    As imagens e o longo monólogo, cheio de paranóia e sentimentos de perseguição, mostram uma visão diferente de Cho, de 23 anos, que era descrito pelos professores e por outros estudantes como um rapaz quieto e reservado.

    'Ele não pára -- isso deve ser mais do que falou em toda a vida', disse Jeremiah. 'Pensei, bem, 'ele sabe falar'.'

    Devin Cornwall, 19, que viu a fita em um dormitório com dois amigos, disse que o ódio do atirador contra crianças ricas não faz sentido.

    'Para mim, isso não representa nenhum estudante da Tech que eu conheça. Eu sempre acho que somos um lugar de assalariados', disse Cornwall.

    No vídeo e no documento de 1.800 palavras, Cho reclama dos ricos, mostrando-se como defensor dos fracos. Ele manifesta também admiração pelo massacre na escola Columbine, em 1999.

    'Vocês vandalizaram o meu coração, violaram minha alma e torturaram minha consciência', disse Cho, falando diretamente para a câmera e olhando às vezes para a mensagem.

    'Vocês achavam que estavam acabando com a vida de um menino patético. Agradeço a vocês por morrer como Jesus Cristo, para inspirar gerações de fracos e indefesos.'

    Problema mental

    As mensagens acrescentam mais frieza à descrição feita por colegas de classe e professores de Cho, de uma pessoa sozinha e atordoada. Cho foi acusado de perseguir mulheres e foi levado a um hospital psiquiátrico em 2005 devido a preocupações com tendências suicidas. Ele foi declarado 'doente mental' por uma corte de Virginia e 'perigo iminente para si mesmo e para outros', disse a ABC News.

    O massacre reviveu o debate nos EUA sobre as leis de porte de arma. Autoridades da polícia e da universidade foram criticadas por terem demorado a alertar os estudantes sobre o perigo, depois que Cho matou as duas primeiras vítimas em um dormitório, pouco depois das 7h.

    Segundo autoridades citadas pela CNN, a polícia suspeitava de outro homem nos primeiros assassinatos. O suspeito estava sendo interrogado fora do campus quando Cho começou o massacre nas classes.

    Agora, os estudantes começam a olhar adiante e para a volta das aulas. 'Vai ser estranho voltar para a sala. Ainda nos sentimos desconfortáveis em salas grandes, ou quando passamos pelo jardim', disse Phil Padilla, 20, que estuda desenho industrial.





  • US Multimídia

    Reuters

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