19/04 - 10:17 - AFP

O massacre de Virginia Tech obrigou as escolas e universidades americanas a reforçar os procedimentos de segurança, mas, com exceção de algumas poucas medidas de prevenção, é praticamente impossível impedir que uma pessoa provoque uma tragédia similar à ocorrida naquele campus.
Depois da matança de segunda-feira, as escolas de todo o país tentam garantir aos pais que seus filhos estão seguros. Várias instituições do condado de Montgomery, nas proximidades de Washington, enviaram aos responsáveis cartas nas quais detalham a colaboração com a polícia local.
O problema é que geralmente nestes casos tudo acontece de forma tão repentina e rápida que quando os policiais chegam já é muito tarde.
Em outubro do ano passado, um caminhoneiro fortemente armado assassinou cinco meninas de uma pequena escola amish de Nickel Mines, na Pensilvânia. Em 1999, dois adolescentes mataram 13 pessoas - 12 estudantes e um professor - na escola Columbine, Colorado.
Agora o país se encontra abalado pelo pior massacre contra um centro educacional nos Estados Unidos, cometido pelo jovem sul-coreano Cho Seung-Hui.
Na segunda-feira, dois incidentes mudaram para sempre a história da Universidade Virginia Tech. No primeiro incidente, às 7H00, duas pessoas morreram. Duas horas mais tarde, o jovem matou outras 30.
Em seguida cometeu suicídio, como os demais assassinos em centros educacionais.
Algumas escolas e faculdades instalaram sistemas de cartões magnéticos para limitar e controlar a entrada de pessoas. No entanto, isto não teria impedido que um estudante como Cho executasse o plano macabro.
Alguns pais pediram às autoridades que as entradas sejam reforçadas, com guardas de segurança e detectores de metais. Porém, a medida parece totalmente irreal em um campus como o de Virginia Tech, com vários edifícios. Tampouco foi muito eficaz nos centros educacionais que tentaram medida.
A Associação de Defesa das Liberdades publicou recentemente um relatório que denuncia os contrangimentos a que são submetidos quase 93.000 estudantes nova-iorquinos: longas filas de espera para assistir as aulas, além guardas com pouca ou nenhuma formação, que muitas vezes são agressivos. No fim das contas tudo isto só aumenta o sentimento de hostilidade.
Para piorar, em muitos casos ficou provado que a presença de seguranças é quase decorativa.
Isto ficou comprovado no caso de Red Lake (Minnesota) em março de 2005, quando o jovem Jeffrey Weise, 16 anos, matou um guarda escolar, antes de assassinar seis pessoas e cometer suicídio.
A "Liga da Defesa dos Cidadãos da Virginia" sugeriu o fim da proibição do porte de armas de fogo, em vigor na maioria dos campus.
"Basta de ineficácias elitistas por parte da universidade. Se apenas uma das vítimas estivesse armada, tudo teria acontecido de uma maneira diferente", afirma a associação em seu site.
Para Catherine Bath, diretora da associação Segurança no Campus, deveria existir um sistema que possibilitasse a uma pessoa escrever uma mensagem, apertar um botão e enviar a todos.
"É fácil, rápido e barato de executar", disse.
"Na manhã de segunda-feira, todos os celulares dos jovens em Virginia Tech deveriam ter recebido a seguinte mensagem após o primeiro ataque: "Alerta vermelho. Dois mortos no Ambler Johnston Hall. Assassino livre, armado e perigoso", acrescentou.
James Alan Fox, professor de justiça criminal da Universidade de Boston, afirma que a ausência total de riscos é impossível de obter. A única maneira, opinou, seria monitorando constantemente a sala de aula.
Mas em um ponto quase todos os especialistas concordam: os assassinos insanos não são as piores ameaças de um campus.
"O álcool e as drogas matam muito mais pessoas que os tiroteios nos campi", advertiu Fox.
fc-mso/fp
Publicidade