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Fui encurralado, disse atirador da Virginia Tech em "manifesto multimídia"

18/04 - 06:26, atualizada às 20:22 13/11 - Redação com agências internacionais

SÃO PAULO - A rede de notícias americana NBC recebeu nesta quarta-feira, na Redação de Nova York, vídeos, fotos e cartas enviados pelo atirador da Universidade Virginia Tech, localizada nos Estados Unidos. No material, chamado pelo estudante de "manifesto multimídia", Cho disse que fez o que tinha de ser feito. "Eu fiz. Eu tive de fazê-lo. (...) ''Vocês tiveram um bilhão de chances de evitar o que aconteceu' (...) Fui encurralado."

  • Veja fotos enviadas pelo atirador
  • Veja vídeo enviado pelo atirador  

     

    Segundo a rede MSNBC, filiada a NBC, os documentos foram enviados entre o tiroteio ocorrido no dormitório da universidade e o que ocorreu duas horas depois, no Norris Hall. O chefe de polícia Steve Flaherty acredita que "esse pode ser um elemento novo e crítico para a investigação".

    Foto enviada pelo atirador à rede de televisão
     Reprodução de foto enviada pelo atirador à rede de televisão NBC

    O estudante sul-coreano já havia sido anteriormente acusado de perseguir duas universitárias e fora levado a um instituto de saúde mental depois que um conhecido expressou preocupação que ele poderia ter tendências suicidas, informou a polícia.

    Uma universitária ficou tão amedrontada com os telefonemas e e-mails enviados por Cho Seung-hui em 2005 que ela chamou a polícia, disse o chefe da polícia da Virginia Tech, Wendell Flinchum.

    Ele disse que a jovem não quis apresentar queixa formal, e nenhuma das duas universitárias estavam entre as 32 vítimas fatais de Cho, que também se matou.

    Durante o segundo incidente de perseguição às universitárias, também em 2005, a polícia recebeu um telefonema de um conhecido de Cho expressando preocupação que ele poderia estar pensando em suicídio, e o sul-coreano foi levado a um centro de saúde mental, afirmou Flinchum.

    Na mesma época, um professor de Cho demonstrava preocupação com os escritos do estudante, mas não comunicou oficialmente à direção da universidade. Flinchum disse desconhecer qualquer outro incidente policial envolvendo anteriormente Cho.

    Cumprimento

    Universidade Virgina Tech
    Universidade Virgina Tech no dia do ataque

    "Hello, how are you?" (como você ou vocês estão, em inglês), teria perguntado o assassino antes de matar suas vítimas no campus da Universidade Virginia Tech, em Blacksburg (Virgínia), afirma um sobrevivente do massacre citado pela imprensa sul-coreana.

    "Tinha o rosto escondido por uma máscara e um gorro marrom que cobria quase até os olhos. Usava óculos e algo como um colete a prova de balas negro", afirmou no leito hospitalar Park Chang-Min, um estudante sul-coreano de engenharia citado pelo jornal JoongAng Ilbo.

    Ferido pelos disparos no torso e em um braço, a testemunha de 27 anos relatou o ataque contra sua sala de aula pelo atirador, também sul-coreano."Havia uns 15 estudantes na sala. Eu estava sentado no fundo. Chegou com duas pistolas e muita munição", disse.

    "Atirou contra o professor e abriu fogo contra nós. Em um piscar de olho a situação se transformou em um pesadelo", lembrou o estudante, que se jogou no chão imediatamente. "Nem senti que uma bala raspou meu peito e meu braço", acrescentou.

    O assassino entrou em seguida em outra sala, onde acontecia uma aula de alemão. O estudante afirmou ter ouvido Cho cumprimentar as vítimas antes de atirar.

    Professora avisou a polícia

    Uma professora do estudante previu um ano e meio antes que seu aluno teria um triste fim. Lucinda Rody afirmou nesta terça-feira que a ira de Cho contra a sociedade era evidente. Há mais de um ano e meio ela chegou a procurar as autoridades acadêmicas e a polícia para advertir do perigo que ele representava.

    Em declarações à rede de televisão "CNN", Roy disse que o estudante nunca falou de armas nem de assassinato, mas o que escrevia era suficiente para causar preocupação.

    "As ameaças pareciam estar sob a superfície. Não eram explícitas e essa era a dificuldade da Polícia" para atuar, explicou a professora.

    No entanto, devido ao conteúdo dos seus textos ela decidiu que ele não deveria participar das turmas com os outros estudantes e começou a dar aulas particulares.

    "Deixei claro que o que ele escrevia era inaceitável", disse, após revelar que pediu que Cho procurasse ajuda médica ou psiquiátrica.

    Ian MacFarlen, companheiro de Cho, disse que o estudante sul-coreano escreveu duas obras de teatro "profundamente inquietantes e gráficas" em sua violência.

    "Eram como um pesadelo. A violência era macabra, distorcida. As armas eram usadas de um modo que ninguém teria imaginado", lembrou.

    Numa das obras, o personagem fala de matar seu padrasto numa orgia de sangue.

    "Era um solitário e temos dificuldades para encontrar informação sobre ele", contou Larry Hincker, vice-presidente de relações da Universidade Tecnológica da Virgínia.

    Na manhã de segunda-feira, o sul-coreano matou 30 pessoas nas salas de aula de Virginia Tech antes de cometer suicídio. Duas horas antes, duas pessoas haviam sido assassinadas, provavelmente pelo mesmo atirador, em um alojamento universitário.

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