Londres, 18 abr (EFE).- A Anistia Internacional (AI) denunciou hoje o "limbo legal" em que se encontra um suspeito de terrorismo no Paquistão, que passou 18 meses em um centro secreto de detenção e que supostamente compareceu na semana passada perante a Corte Suprema em Islamabad.
Em comunicado divulgado em sua sede, em Londres, a organização pró-direitos humanos indicou que o paquistanês Khalid Mehmood Rashid está em paradeiro desconhecido desde 6 de novembro de 2005, quando foi deportado ao Paquistão pelas autoridades sul-africanas.
A AI se mostrou "extremamente preocupada" com o estado no qual o detido possa se encontrar, "após quase 18 meses de detenção incomunicável, o que é um alto fator de risco de tortura".
A AI, que vai investigar as informações segundo as quais o homem compareceu no dia 12 perante a Corte Suprema do Paquistão, denuncia que o suspeito de terrorismo continuava no dia 16 sob custódia dos serviços secretos do Paquistão.
"Rashid já sofreu 18 meses de detenção secreta e é totalmente inaceitável que as autoridades do Paquistão continuem negando a ele acesso a seu advogado, a sua família e a cuidados médicos", indicou o representante da AI Erwin van der Borght.
Van der Borght pediu ainda que esta situação seja tratada "de forma imediata" e que o detido "faça frente à justiça em processo justo ou seja posto em liberdade sem demora".
A AI já intercedeu em 2006 junto ao Governo do Paquistão pela situação de Rashid e transferiu sua preocupação às autoridades sul-africanas, que podem ter violado a Convenção contra a Tortura da ONU por participar do desaparecimento forçado do suspeito e expô-lo a uma eventual tortura.
A imprensa sul-africana informou então que o detido era suspeito de pertencer à rede terrorista Al Qaeda e foi deportado ao Paquistão em um vôo secreto. EFE ep af