17/04 - 12:45 - AFP

O horror estampa as primeiras páginas dos jornais americanos nesta terça-feira, um dia depois da morte de 33 pessoas em um tiroteio em uma universidade da Virginia, e a regulamentação da compra e porte de armas nos Estados Unidos voltou ao centro do debate.
O jornal New York Times considera a matança de segunda-feira "outra horrorosa recordação de que os perigos mais graves que os americanos enfrentam vêm de assassinos em casa, que conseguem armas de uma forma terrivelmente fácil".
"Parece seguro que de uma maneira ou outra, isto resultará em outro caso no qual uma mente individual instável ou criminosa não teve problemas em armar-se e atacar pessoas indefesas", destaca um editorial do NYT.
O atirador matou 32 pessoas antes de cometer suicídio. O massacre aconteceu duas horas depois do assassinato de duas pessoas em um alojamento de estudantes. A polícia ainda precisa confirmar oficialmente a relação entre os dois tiroteios.
"Banho de sangue" é a manchete do New York Post que resume o tom da cobertura.
O Washington Post lembra que este foi o maior massacre de civis em um tiroteio na história americana.
"Vidas jovens repletas de promessas e possibilidades foram interrompidas pelos agora familiares flagelos do campus: um homem armado ou homens armados em um acesso", resume o Washington Post ao mencionar incidentes anteriores, como o tiroteio na escola Columbine, no Colorado, em 1999.
"Sob que circunstâncias, e onde, o atirador obteve suas armas. E por que os atiradores estão tão aptos a executar sua campanha letal nos centros de ensino americanos?", prossegue o Post.
"Os pais, familiares e amigos das vítimas de Virginia Tech não estarão sozinhos em seu luto. Esta tragédia é de todos os Estados Unidos", acrescenta.
A matança provocou tristeza e fúria, enquanto a polícia busca pistas para saber os motivos que levaram o assassino a cometer a tragédia. Até o momento, as autoridades só divulgaram que o atirador tinha aparência asiática.
O jornal local Roanoke Times recordou outro incidente fatal no campus, que deixou um guarda e um policial mortos depois que um preso fugitivo tentou se esconder no local em agosto do ano passado.
"Os nervos das pessoas ainda estão no limite depois das recentes ameaças de bomba que obrigaram a fechar o campus", destaca o jornal em um editorial publicado na edição on-line.
"E agora esta tragédia abre feridas profundas, novas feridas", acrescenta.
"A simpatia não foi suficiente no momento de Columbine, e oito anos depois tampouco é suficiente", afirma o New York Times, que enfatiza o fato do estado da Virginia impor poucas restrições aos compradores de armas e exigir escassas condições para conceder uma licença de porte de armas.
"O que se necessita, urgentemente, são controles mais fortes sobre as armas letais que provocam tais matanças e perdas insuportáveis", concluiu.
rlp/fp
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