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EUA: pequenos sinais de melhora em torno da inflação

17/04 - 15:05 - AFP

A inflação deu tímidos sinais de melhora em março nos Estados Unidos, mas a forte alta dos preços do petróleo pode representar uma ameaça ao futuro.

Os preços ao consumidor aumentaram como previsto 0,6% em março em relação a fevereiro, sustentados pela forte alta dos preços de alimentação (+0,3%) e da gasolina (+10,6%).

Esta é a alta mais forte em quase um ano, mas os economistas preferem concentrar sua atenção no índice de base, que exclui os elementos mais voláteis que são alimentação e energia. Este índice aumentou 0,1% apenas, menos que o previsto e marca a menor alta desde dezembro passado.

"As notícias de hoje sobre a inflação são tranqüilizadoras", destacou Steven Wieting, economista do grupo Citi.

No acumulado do ano, a alta dos preços chegou a 2,8% para o índice geral, mas para o índice de base da inflação ficou em 2,5%, contra 2,7% em fevereiro.

O Banco Central visa, sem declarar isto especificamente, a uma taxa de inflação anual inferior a 2% (fora alimentação e energia).

O Banco repetiu nas últimas semanas que a inflação era sua preocupação maior e que poderia ainda aumentar suas taxas de juros, atualmente fixadas em 5,25%, se a tendência não se inverter.

Os analistas também receberam o relatório desta terça-feira aliviados.

"O fraco nível de março leva a pensar que a inflação a curto prazo vai cair como o Fed quer", destacou Kenneth Beauchemin, economista da Global Insight.

Os mercados questionam uma alta dos juros, que seria uma manobra perigosa, principalmente com o crescimento ofuscado pela crise do setor imobiliário.

Mas neste caso também os relatórios são encorajadores.

O número de casas em construção aumentou 0,8% em março em relação a fevereiro, assim como as autorizações para construir.

No que se refere ao consumo, que é crucial para o crescimento, o governo anunciou segunda-feira uma alta de 0,7% das vendas de varejo em março.

Isto não quer dizer que todos os perigos estejam descartados. O setor imobiliário continuará sendo um risco até que o ramo de empréstimos imobiliários de risco ("subprime") se recupere. O índice de confiança dos promotores imobiliários recuou em abril, e o mau tempo registrado desde o início do mês pode ainda atrasar a recuperação.

Um outro perigo, que muitos analistas não viram se aproximar, pode ser a queda dos investimentos das empresas, podendo comprometer assim a produção de seus efetivos. Recentemente, o Fed manifestou preocupações com o investimento "surpreendentemente fraco" das empresas.

A queda de 0,2% da produção industrial em março, anunciada terça-feira pelo banco central, pode ilustrar este risco.

E mesmo no caso da inflação, os analistas destacam que a boa performance de março não deve se repetir.

A fraca progressão do índice de base em março pode ser explicada antes de tudo pela queda dos preços das roupas (-1%) e da estabilidade dos preços par os produtos de lazer.

Mas a disparada dos preços do petróleo representa uma ameaça para a inflação, porque sempre há risco de contágio do índice geral.

"Vamos precisar de um outro dado muito bom no próximo mês para começar a acreditar numa melhora duradoura", ressaltou Robert Brusca da FAO Economics.

Para ele, a espiral dos preços da energia constitui um risco para a inflação de base.

cg/lm





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