17/04 - 08:16, atualizada às 19:42 16/04 - Redação com agências internacionais
SÃO PAULO - O atirador que matou 32 pessoas e depois se suicidou na Universidade Virginia Tech, na segunda-feira, foi identificado pela polícia como Cho Seung-Hui, um sul-coreano que estudava na instituição. A polícia afirmou, nesta terça-feira, que ele tinha 23 anos e que uma das duas armas recuperadas foi usada nos dois tiroteios no campus. A pistola glock 9 mm foi comprada por US$571 há um mês. Ele também tinha uma pistola calibre .22. A polícia também encontrou em seu quarto um bilhete.
Nele, Cho recrimina os "garotos ricos, a libertinagem e os charlatães embusteiros" em um bilhete que deixou antes do tiroteio na Virginia Tech, informou a imprensa nesta terça-feira. "Vocês me forçaram a fazer isso" num texto encontrado em seu dormitório, informou o canal ABC.
O bilhete começa escrito no presente e termina no tempo passado.Cho Seung-Hui escreveu o bilhete em seu quarto antes de sair para matar os colegas.
Investigadores do caso também contaram ao jornal Chicago Tribune que Cho Seung-Hui demonstrou recentemente sinais de "comportamento violento e aberrante", incluindo assediar mulheres e atear fogo em um dos quartos da universidade.
"A evidência não nos leva a dizer com toda certeza que o mesmo atirador estava envolvido nos dois tiroteios", disse em entrevista à imprensa Steven Flaherty, superintendente da polícia do Estado de Virgínia.
"É certamente razoável para nós assumirmos que Cho foi o atirador em ambos os lugares."O atacante teria matado duas pessoas num dormitório da universidade. Duas horas depois teria invadido um prédio da engenharia para matar outras 30 pessoas e depois se suicidar com um tiro na cabeça.
As vítimas do massacre foram encontradas em ao menos quatro salas de aula e em uma escada, afirmou. "O agressor foi descoberto entre várias das vítimas, em uma das salas de aula', disse Flaherty. "Ele tinha se matado."
Cho, que estudava Literatura Inglesa, vivia legalmente nos Estados Unidos com seus pais havia 14 anos. Ele se mudou para os Estados Unidos em setembro de 1992 e morava em Centreville, Virginia, disse Chris Bentley, um porta-voz dos Serviços de Cidadania e Imigração.
Como um residente estrangeiro, comumente conhecido como um detentor do green-card, Cho podia viver e trabalhar indefinidamente nos Estados Unidos, embora ele não pudesse votar ou obter um passaporte norte-americano, disse Bentley.
A família de Cho não pôde ser encontrada para comentar. A Fox News informou que agentes federais revistaram a casa de Cho em Centreville.
Ciúmes
O atirador responsável pelo mais sangrento ataque em um campus dos Estados Unidos - um estudante asiático da Universidade Politécnica da Virgínia - iniciou o massacre por ciúmes.
Segundo José Carlos Setúbal professor brasileiro que leciona na Universidade Politécnica da Virgínia e que estava no campus no momento dos ataques, o que se comenta é que a tragédia teve como motivação inicial o ciúme.
O atirador teria matado no dormitório o atual namorado de uma ex-namorada por volta de 7 horas, e uma segunda pessoa ainda não identificada. Por volta das 10h30, ele foi procurar a ex-namorada no prédio da engenharia, onde provocou um massacre.
Ainda segundo o professor, embora a demora para a universidade avisar os alunos sobre os tiroteios no campus, a instituição agiu conforme as informações eram disponibilizadas.
Medo e confusão
Estudantes e funcionários da Virginia Tech University, no Estado americano da Virgínia, relataram os momentos de medo e confusão vividos nesta segunda-feira, quando um homem armado abriu fogo em dois diferentes locais do campus, matando mais de 30 pessoas.
O professor Dennis Hong disse que estava trabalhando no campus quando ouviu os tiros. "Eu estava trabalhando no meu escritório e então ouvi três tiros. Olhei para fora e vi um grupo de policiais armados se escondendo atrás das árvores", disse Hong.
'Nem sei se algum dos meus amigos foi morto porque foi muito difícil entrar em contato com as pessoas na noite passada', afirmou na terça-feira de manhã Brittany Jones, 19, uma estudante da universidade.
'Mas, mesmo que não haja, isso não seria menos triste. A gente não espera que isso vá acontecer na escola da gente. Eram apenas garotos', afirmou enquanto assistia a exercícios realizados pela guarda militar da universidade antes das aulas.
Negligência
Vários estudantes e pais de alunos da Universidade Virginia Tech acusavam a instituição de negligência na noite desta segunda-feira, após o massacre que causou 33 mortes no campus.
"Houve uma pausa de mais de duas horas (entre o primeiro e o segundo ataque). Não há desculpa para isto, para esta falta de informação", acusou Erin Mabry, de 25 anos, estudante da Virginia Tech.
A polícia foi advertida sobre o primeiro ataque às 07H15 local, quando duas pessoas morreram baleadas no alojamento de estudantes Ambler Johnston.
Às 09h26, os alunos receberam um e-mail informando sobre o incidente, mas sem instruções sobre se deveriam permanecer no campus ou não. "Acredito que houve negligência", disse Mabry, que voltou para casa logo após o primeiro alerta.
Não foram feitos anúncios no sistema de alto-falante, disseram.
O estudante Billy Bason, de 18 anos, disse: "Eu acho que a universidade tem sangue nas mãos por falta de ação depois do primeiro incidente."
Erin Mabry, que também estuda em Virginia Tech, disse: "Há um intervalo de duas horas entre os dois incidentes. Não há desculpa para um intervalo de duas horas sem informações."
Mas o reitor de Virginia Tech, Charles Steger, disse: "Não tínhamos razão para suspeitar que outro incidente ocorreria." "Nós só pudemos tomar decisões baseadas nas informações que tínhamos naquele momento."
A polícia disse que pensou que o primeiro incidente fosse isolado e "doméstico" e que o atirador tinha deixado o campus.
Testemunhas dizem que alguns estudantes pularam de janelas de salas de aula para escapar do tiroteio, que causou pánico no campus.
Armas
Testemunhas disseram que o atirador era um homem asiático de cerca de 1,80 m, que sem dizer uma palavra foi de classe em classe atirando nos estudantes e funcionários.
'As vítimas tinham ferimentos de vários tiros, até as menos feridas tinham vários tiros. O cara estava lá para matar todo mundo com quem tivesse contato, não só para atirar. Ele queria matar', disse Joseph Cacioppo, médico do pronto-socorro que atendeu os feridos.
A imprensa de Israel afirmou que um dos mortos era um professor de engenharia israelense, Liviu Librescu. O filho de Librescu disse à rádio do Exército de Israel que o pai tentou bloquear a porta da classe e orientou os estudantes a fugir.
As imagens dos estudantes apavorados e da polícia tirando as vítimas do prédio reavivaram as lembranças do massacre na escola de Columbine, em 1999, e trouxeram de volta os debates sobre a regulamentação do porte de armas no país.
Mais de 30 mil pessoas morrem vítimas de tiros nos Estados Unidos por ano. Mas o lobby das armas é poderoso e sempre conseguiu impedir qualquer tentativa de limitação no direito ao porte de armas.
Esse lobby encarou o massacre de segunda-feira como uma prova de que está certo. 'Todos os massacres em escolas que foram contidos nos últimos dez anos só pararam porque algum cidadão -- uma vítima em potencial -- tinha uma arma', disse Larry Pratt, diretor-executivo da organização Proprietários de Armas dos EUA. 'O ataque na Virginia Tech requer o fim imediato da lei sobre as zonas sem armas, que deixa as escolas da nação à mercê de malucos.'
Num editorial na edição de terça-feira, o The New York Times atacou a liberalidade do porte de armas. 'O que é necessário, com urgência, são controles mais rígidos sobre armas letais que causam carnificinas tão sem sentido e perdas tão devastadoras.'