17/04 - 12:17 - Reuters

Por Michael Perry SYDNEY (Reuters) - O massacre na universidade da Virgínia ressoou na terça-feira em toda a Ásia e na Oceania com tons diferentes. Enquanto a Austrália rejeitava a 'cultura de armas' dos EUA, e lobby filipino pró-desarmamento disse que o país está sujeito a chacinas semelhantes.
O primeiro-ministro John Howard disse que as duas leis sobre porte de armas introduzidas na Austrália após um massacre de 1996 na Tasmânia (sul do país) evitaram que se desenvolvesse ali um culto às armas como nos EUA.
'Mostramos uma resolução nacional de que a cultura das armas, tão negativa nos Estados Unidos, nunca se tornaria negativa no nosso país', disse Howard, referindo-se ao incidente em que um homem com um rifle semi-automático matou 35 pessoas em Port Arthur, no pior massacre da história moderna australiana, há cerca de 11 anos.
O horror daquele dia fez a Austrália enfrentar o lobby armamentista e impor leis proibindo quase todos os tipos de armas semi-automáticas. O governo gastou mais de 250 milhões de dólares para comprar mais de 600 mil armas da população, especialmente agricultores e caçadores, antes que a lei entrasse em vigor.
O primeiro-ministro australiano manifestou solidariedade com as famílias das 32 pessoas mortas na segunda-feira na Universidade Virginia Tech, vítimas do que ele descreveu como 'um atirador enlouquecido'.
O pequeno Partido Verde australiano pediu na terça-feira que a lei local do porte de armas seja revista, lembrando que o massacre de Virgínia foi feito com uma pistola de múltiplos disparos, e que há cerca de 250 mil armas manuais na Austrália.
'FAROESTE ASIÁTICO'
Nas Filipinas, país considerado 'o Faroeste Asiático', a diretora da ONG Sociedade Sem Armas, Nandy Pacheco, disse temer que ocorra no país uma chacina em estilo norte-americano.
'Não passa um dia sem que aconteça um incidente relativo a armas [nas Filipinas]. Você ouve no rádio, vê na TV, lê nos jornais', afirmou.
A posse de armas é disseminada no país, seja por donas-de-casa preocupadas com roubos ou por políticos temerosos de seus inimigos. Há cerca de 1,1 milhão de armas no arquipélago, e a política estima que 30 por cento delas sejam clandestinas.
No mês passado, dois homens armados com submetralhadoras, um revolver e duas granadas mantiveram dezenas de crianças como reféns em uma creche, para protestar contra desigualdades no sistema educacional.
Também são comuns tiroteios por motivos fúteis. Há alguns anos, más interpretações de 'My Way', o clássico de Frank Sinatra, por frequentadores de karaokês renderam alguns incidentes.
CHINA
Na China, pelo contrário, crimes com armas de fogo são relativamente raros, pois é tradicionalmente difícil obtê-las.
O comércio ou fabricação ilegal pode acarretar a pena de morte.
No ano passado, porém, uma operação policial apreendeu mais de 100 mil armas e 3 milhões de balas.
Em 2003, duas pessoas da remota província de Qinghai (oeste) receberam longas penas por terem produzido mais de cem armas e 500 munições, que pretendiam vender. A polícia diz que esse mercado clandestino é estimulado pela pobreza, já que a venda de uma arma pode render até o dobro de um salário médio.
Outro país muito rígido em relação às armas é Cingapura.
Qualquer um que for apanhando portando uma arma pode ser condenado a dez anos de prisão e seis chibatadas. O tráfico de armas pode acarretar pena de morte ou prisão perpétua.
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