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"Ouvi alguns tiros", conta brasileiro que estava na universidade atacada nos EUA

16/04 - 21:03, atualizada às 22:05 16/04 - Da Redação do Último Segundo

SÃO PAULO - Cerca de 40 brasileiros estudam na Universidade Virginia Tech, que foi alvo de um ataque a tiros que deixou pelo menos 33 mortos – incluindo o atirador – e 29 pessoas feridas. A reportagem do Último Segundo conversou com dois brasileiros que estavam na universidade, localizada na cidade de Blacksburg, na região leste dos Estados Unidos.

 

Estudante brasileiro Adriano Cardoso na Universidade Virginia Tech

Estudante Adriano Cardoso na universidade

O estudante Adriano Cardoso, que faz doutorado em engenharia elétrica na universidade, estava no laboratório quando aconteceu o segundo ataque, por volta das 9h15 (10h15, hora de Brasília). Ele contou à reportagem do Último Segundo que, quando chegou ao local, não percebeu que já havia ocorrido o primeiro ataque, no dormitório para os estudantes, onde duas pessoas morreram.

“A universidade é muito grande. O primeiro ataque foi no alojamento dos estudantes (duas horas antes). Percebi que o clima estava estranho, mas na sexta-feira havia tido uma ameaça de bomba”, disse Cardoso. Já no laboratório, por volta das 10h20 (horário local), o estudante ouviu “alguns tiros”. “Logo após, escutei pelo sistema de som da faculdade que todos deveriam permanecer no prédio porque havia um atirador. Eu não fiquei assustado, porque achei que a polícia estava exagerando. Entrei no site e vi que havia uma pessoa ferida e outra morta no alojamento”, contou Cardoso.

A identidade do atirador, segundo informações da polícia, ainda é desconhecida. Porém, segundo o brasileiro, especula-se que o atirador seja aluno da universidade. “Alguns estudantes falam que o atirador matou o seu colega de quarto, atirou na namorada e foi para a sala de aula matar os colegas de classe, mas não é nada confirmado. Alguns amigos meus, que estudam na universidade, ouviram essa versão”, afirmou.

Cardoso ainda completou que a imprensa local mostrou a imagem de um jovem de origem asiática sendo preso. “Não sabemos quem é esse rapaz”, declarou. O brasileiro Francisco Müller, que estuda na universidade há 20 dias, afirmou que a polícia trabalha com a possibilidade de terem sido dois atiradores. “Já ouvimos que um se matou e o outro foi preso. Os prédios, onde aconteceram os ataques, são distantes”, disse.

Brasileiro Francisco Müller:
Brasileiro Francisco Müller: "ouvi tiros"
Müller, que também estava no laboratório da universidade quando houve o segundo ataque, contou que não se vê ninguém pelas ruas de Blacksburg. No momento dos tiros, ele achou que fosse uma briga isolada e não ficou muito preocupado, “mas quando avisaram que não poderíamos deixar a universidade, vi que era mais grave”.

Quando deixou o prédio, viu cerca de dez ambulâncias. “Estavam a uns 100 metros de onde tudo aconteceu”, disse, completando que, apesar do ocorrido, não sente medo. “Estou triste pelas pessoas e perplexo”.

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