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Abbas e Olmert analisam futuro político da paz entre Israel e ANP

15/04 - 17:34 - EFE

Jerusalém/Ramala, 15 abr (EFE).- O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, analisaram neste domingo como podem avançar na criação de dois Estados que convivam em paz.

"Eles conversaram sobre um horizonte político, de cooperação econômica entre Israel e o futuro Estado palestino e de estender o diálogo a iniciativas econômicas conjuntas", disse David Baker, porta-voz do Escritório do Primeiro-ministro israelense, ao comentar a reunião. Após o encontro, os dois líderes não falaram com a imprensa.

Baker afirmou que Abbas e Olmert "não trataram dos assuntos relacionados com o acordo (de paz) final", como a questão das fronteiras, de Jerusalém e dos refugiados.

Em entrevista coletiva em Ramala, Saeb Erekat, chefe negociador da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) confirmou que Olmert e Abbas falaram "do horizonte político que significa a tradução da visão que o presidente dos Estados Unidos George W. Bush tem dos dois Estados".

"Fala-se muito da paz. Estamos há 15 anos falando da paz e o povo está farto, a credibilidade requer que as pessoas vejam com os próprios olhos, que avançamos em direção a ela", declarou Erekat.

Abbas e Olmert se reuniram hoje em Jerusalém pela terceira vez neste ano e voltarão a se encontrar no final do mês, na cidade de Jericó.

As reuniões bilaterais acontecem devido a um pedido da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que em sua última visita à região, no dia 27 de março, insistiu em que as duas partes começassem a regularizar suas relações para buscar uma solução definitiva para o conflito entre os dois povos.

Abbas explicou a Olmert o conteúdo da Iniciativa Saudita, pela qual a Liga Árabe se comprometeu com a plena normalização das relações de seus Estados-membros com Israel, desde que este último deixe os territórios que ocupou na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Erekat disse que um plano mais concreto e imediato foi estudado, analisando a possibilidade de retirada das blitze e dos controles militares israelenses na Cisjordânia, além da abertura total da passagem comercial de Karni - entre Gaza e Israel - e de passageiros por Rafah - entre Gaza e o Egito.

Os dois dirigentes decidiram ampliar progressivamente a abertura de Karni e renovar o acordo com a União Européia (UE) para que ela continue atuando como observadora na passagem de Rafah.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) também pediu a Olmert que o cessar-fogo, estabelecido no fim de 2005 na Faixa de Gaza, seja estendido à Cisjordânia.

A porta-voz israelense, Miri Eisin, afirmou que o representante de seu país apresentou aos palestinos "um plano para a retirada dos postos de controle (na Cisjordânia), e eles apresentaram outro plano para restaurar as forças de segurança e impedir o disparo de foguetes Qassam e o contrabando de armas".

Olmert e Abbas trataram também da libertação do soldado Gilad Shalit - prisioneiro de milícias palestinas desde junho - em troca da liberdade de presos palestinos. Apesar disso, Erekat afirmou: "quanto menos falemos disto, mais possibilidades o Egito tem de obter êxito".

O Egito atua como mediador entre Israel e o movimento islâmico Hamas, que - com outras duas milícias palestinas - mantém Shalit em seu poder. Até o momento, o Governo israelense não aprovou a lista de presos para serem libertados, como exigem os islamitas.

Abbas e Olmert também conversaram sobre temas, como o descongelamento dos impostos e taxas de alfândegas que Israel recolhe para a ANP, e a abertura de um porto e de um aeroporto em Gaza.

A respeito da arrecadação de impostos, Erekat disse: "não somos um país, não somos um estado, tudo chega através de Israel. Não é seu dinheiro é nosso dinheiro". Lembrou que 60% do orçamento dos palestinos vem do que Israel recolhe.

A abertura do porto de Gaza é uma das questões pendentes do processo de Oslo (1993-2000), já que Israel sempre se opôs à proposta por ter medo de que sirva para colocar grandes quantidades de armas na faixa mediterrânea.

Algo parecido ocorre com o aeroporto, situado no sul de Gaza e que funcionou até o começo da segunda Intifada, em 2000, quando Israel destruiu as pistas.

Miri Eisin descreveu a reunião como "muito positiva", ao mesmo tempo em que Erekat disse que a conversa foi "longa e profunda". EFE em jfc/ma




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