Washington, 26 mar (EFE).- O australiano David Hicks se declarou hoje culpado de apoiar atividades terroristas, durante uma audiência realizada na base militar americana de Guantánamo, em Cuba.
Hicks é o primeiro suspeito de terrorismo a ser acusado nos novos tribunais especiais de Guantánamo. O sistema anterior, criado pelo Pentágono, foi declarado inconstitucional pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
O australiano, de 31 anos, enfrenta a acusação de dar apoio ao terrorismo. Ele supostamente recebeu treinamento num acampamento da rede Al Qaeda e lutou ao lado dos talibãs durante a invasão do Afeganistão, em 2001.
Hicks, muçulmano e pai de dois filhos, foi capturado no Afeganistão e levado a Guantánamo em janeiro do 2002.
Ele compareceu ao tribunal militar vestindo um uniforme cáqui de prisioneiro e com o cabelo comprido, que usa para bloquear a luz permanentemente acesa em sua cela, segundo explicou seu advogado, David McLeod.
O acusado se declarou culpado ao juiz militar Ralph Kohlmann.
O juiz pediu a promotores e advogados da defesa que cheguem a um acordo entre hoje e amanhã, quando dará a sentença. Um acordo diplomático permitirá a Hicks cumprir a sua pena na Austrália.
A pena máxima prevista é de cadeia perpétua. Mas o promotor principal do caso, o coronel Morris Davis, disse que outros casos semelhantes resultaram em penas de 20 anos de prisão.
A acusação original apresentada pelo Pentágono em 2004 era de tentativa de assassinato, ajuda ao inimigo e conspiração para atacar civis, cometer atos terroristas e destruir propriedades.
No entanto, as acusações foram retiradas em junho, quando a Corte Suprema determinou que os tribunais especiais originais violavam a Convenção de Genebra, que regula o tratamento de inimigos capturados durante uma guerra.
Em setembro o Congresso modificou as normas para os tribunais militares, mas as mudanças não satisfizeram às organizações de defesa dos direitos humanos.
A ONG Human Rights Watch denunciou hoje em comunicado que os tribunais especiais antiterroristas permitem o uso de confissões e provas obtidas mediante interrogatórios "abusivos", conduzidos antes de janeiro de 2006. EFE tb mf