Jerusalém, 27 mar (EFE).- Um grupo de ativistas, intelectuais e ex-políticos israelenses lançaram hoje uma campanha pública para exigir que seu Governo aceite a Iniciativa Saudita como base para resolver o conflito com os palestinos e os países árabes.
A campanha começará esta noite em um ato público em Tel Aviv, que, de forma proposital, foi convocado apenas um dia antes do início dos debates da cúpula da Liga Árabe em Riad.
"A iniciativa surgiu pela preocupação com que o Governo israelense perca a oportunidade criada, a oportunidade de trabalhar com uma oferta que parece a mais séria já proposta para terminar com o conflito", afirma Dan Miodownik, um dos organizadores, em declarações à agência Efe.
Miodownik, professor universitário nascido na Argentina, sustenta que a Iniciativa Saudita "está sobre a mesa há cinco anos, mas ninguém (no Governo israelense) se moveu até agora".
A Iniciativa é uma proposta que os membros da Liga Árabe fizeram a Israel em 2002, e que consiste no reconhecimento do Estado judeu em troca de sua retirada de todas as terras que ocupou na guerra de 1967 e da criação de um Estado palestino que tenha Jerusalém Oriental como capital.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse, há duas semanas, que seu país vê o plano de forma positiva, mas que serão necessárias algumas mudanças para aceitá-lo.
Segundo Miodownik, a Liga Árabe percorreu uma grande distância desde a Cúpula de Cartum em 1967, em que foi aplicada a política dos três "nãos" a Israel (ao reconhecimento, às negociações e à paz).
A Iniciativa Saudita "é uma demonstração de disposição por parte de todos os países árabes de dar legitimidade a Israel e dar fim ao conflito de uma vez por todas", manifesta o ativista.
Miodownik afirmou que quer "expor ao povo de Israel o alcance da iniciativa, e pedir ao Governo que não a deixe passar" em branco.
"Até agora, a única coisa que vemos é a atitude do Governo de não aceitá-la", completa.
Ao contrário de outros planos, como o Mapa do Caminho de 2003, a proposta saudita contempla a resolução do conflito árabe-israelense em seu âmbito mais amplo, e não só no palestino.
Conhecidos pacifistas vão participar da campanha hoje, como Yael Dayan, filha do mítico general Moshé Dayan; Mosi Raz, líder do movimento Paz Agora; e a ex-ministra Shulamit Aloni, uma das ex-dirigentes da frente progressista Meretz.
Também participarão um diplomata da embaixada da Jordânia em Tel Aviv, e, possivelmente, outro do Egito, os dois países árabes da região que mantêm relações diplomáticas plenas com Israel.
A Mauritânia estabeleceu relações diplomáticas com Israel nos anos 90, e outros Estados do Golfo Pérsico mantiveram escritórios de representação ou comerciais em Tel Aviv, durante o processo de Oslo (1993-2000).
O novo grupo de ativistas convoca a campanha sob o título de "Há com quem falar, comecemos a escutar", e espera que seu impacto se estenda da esquerda pacifista a personalidades do Governo que já expressaram sua abertura à Iniciativa Saudita, como o ministro de Construção e Habitação, Meir Sheetrit.
"Enviamos convites para o ato a todos os deputados para dizer-lhes que nosso objetivo é que esta campanha não termine na esquerda, mas avance nas esferas políticas", concluiu Miodownik. EFE elb is/ma