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Relatório de ONG afirma que milhões de crianças vivem em condições desumanas

24/03 - 11:57 - EFE

(Embargada até as 21h01) Londres, 24 mar (EFE).- A organização humanitária Save the Children denuncia que milhões de crianças no mundo todo são submetidas a trabalhos forçados, e pede que medidas sejam tomadas urgentemente para combater a escravidão infantil.

No relatório "As pequenas mãos da escravidão", a organização informa sobre o alcance do problema, na véspera do bicentenário da lei britânica que aboliu o comércio de escravos, celebrado neste domingo.

O documento menciona os problemas do tráfico infantil para a exploração sexual, os trabalhos em minas e na agricultura, as crianças-soldado, os casamentos forçados e a escravidão doméstica.

A organização revela que 1,2 milhão de crianças são vítimas de tráfico infantil a cada ano, e afirma que o número está aumentando.

Cerca de 1,8 milhão de crianças são vítimas de abusos como prostituição, pornografia infantil ou turismo sexual.

Segundo a Save the Children, milhões de crianças são forçadas a trabalhar em condições terríveis para pagar dívidas, e se estima que, só na Índia, haveria 15 milhões de menores obrigados a trabalhar para pagar dívidas de outras pessoas.

O relatório acrescenta que 1 milhão de crianças arriscam suas vidas em minas em mais de 50 países da África, Ásia e América do Sul.

Quanto aos trabalhos no campo, calcula-se que há 132 milhões de menores de 15 anos que trabalham na agricultura, sem possibilidade de escapar e expostos a pesticidas, maquinaria pesada e ferramentas perigosas.

A organização afirma que 300 mil crianças também menores de 15 anos trabalham como soldados em pelo menos 13 países. Cerca de 11 mil crianças na República Democrática do Congo estão em poder de grupos combatentes.

Como forma de escravidão, o casamento forçado é um dos modos mais propagados. Muitas vezes, meninas de apenas 4 anos são obrigadas a viver com seus "maridos", acrescenta o relatório.

A ONG Save the Children ressalta que milhões de crianças no mundo todo são obrigadas a trabalhar até 15 horas por dia no serviço doméstico, e muitas são maltratadas fisicamente, privadas de comida e vítimas de abusos sexuais.

A diretora-executiva da organização, Jasmine Whitebread, disse que a "escravidão infantil não é um fenômeno histórico, é uma dura realidade para milhões de crianças em países ricos e pobres".

"Essas crianças são tratadas como mercadoria, podem ser emprestadas ou vendidas a outros donos sem advertência, e vivem em terríveis condições de humilhação e abuso", acrescentou Whitebread.

Segundo a organização, os países em geral, inclusive o Reino Unido, não respondem efetivamente à situação desumana em que muitas crianças se encontram.

"Os líderes de todo o mundo e doadores internacionais têm que atuar de maneira urgente para atender a escravidão infantil e aplicar leis e recursos necessários para erradicar essas práticas terríveis", ressaltou a diretora-executiva da Save the Children. EFE vg is/af




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