Juan Lara Cidade do Vaticano, 13 mar (EFE).- As portas do Vaticano abriram-se hoje pela terceira vez ao presidente russo, Vladimir Putin, que teve sua primeira reunião com o Papa Bento XVI, com quem analisou a situação no Oriente Médio e as relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Russa.
Putin, que já esteve na Santa Sé em 2000 e 2003, quando se reuniu com João Paulo II, falou hoje em particular durante 25 minutos com Bento XVI, com quem abordou os problemas derivados do extremismo e da intolerância, informou o Vaticano em comunicado.
O presidente russo foi um dos poucos líderes do mundo que não assistiu ao enterro de João Paulo II e à cerimônia de início de Pontificado de Bento XVI, e, por isso, a visita de hoje gerou grande interesse, principalmente entre os católicos russos.
Os praticantes do Catolicismo na Rússia quase não chegam a 600 mil, e esperam que a visita de hoje melhore sua situação, para que possam exercer sua fé com mais liberdade nesse país - de maioria cristã ortodoxa, dependentes do poderoso Patriarcado de Moscou.
Segundo o comunicado, a audiência ocorreu em um clima "muito positivo, que permitiu ressaltar as cordiais relações" existentes entre a Santa Sé e a Rússia.
"Nesse contexto, foram examinados alguns temas bilaterais de interesse comum, as relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa e os temas de atualidade internacional, em particular o do Oriente Médio", ressalta a nota.
Bento XVI e Putin também falaram sobre o extremismo e a intolerância, "que são graves ameaças à convivência civil entre as nações", afirma o comunicado.
Segundo a Santa Sé, o Pontífice e o líder russo concordaram na necessidade de preservar a paz e favorecer a resolução negociada e pacífica dos conflitos.
Putin chegou ao Vaticano hoje acompanhado por um grupo de 14 pessoas, entre elas o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov.
O encontro teve o alemão, língua que Putin domina, como idioma de comunicação. Ao final da mesma, o presidente russo presenteou o Papa com uma imagem de São Nicolau, padroeiro da Rússia.
Bento XVI entregou a Putin uma estampa de 1663 que traz São Pedro e uma insólita colunata de Bernini do Vaticano com três braços, em vez dos dois que tem.
Putin também cumprimentou o secretário de Estado vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, e o secretário para as Relações com os Estados, o arcebispo Dominique Mamberti.
A visita durou pouco mais de uma hora e, após a mesma, Putin reuniu-se com o primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, com quem amanhã presidirá, em Bari, a 500 quilômetros de Roma, uma cúpula ítalo-russa.
Não se sabe se Putin convidou o Papa para visitar a Rússia, mas tudo indica que não.
Embora as relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Russa tenham melhorado após a chegada de Bento XVI ao Papado, os ortodoxos continuam acusando Roma de fazer proselitismo em territórios que considera de sua tradicional influência.
Nas duas vezes anteriores em que Putin foi ao Vaticano, não convidou o polonês João Paulo II, que morreu sem ver cumprido seu desejo de visitar a Rússia, por conta da oposição do poderoso Patriarca ortodoxo, Alexei II.
As relações entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa Russa pioraram nos últimos anos do Pontificado de João Paulo II, devido a sua decisão de reorganizar a Igreja Católica na Rússia criando quatro dioceses.
Os ortodoxos receberam a atitude como uma agressão e, na época, em 2002, as autoridades russas expulsaram cinco sacerdotes católicos - incluído um bispo - sem explicação oficial, mas com insinuações de possível espionagem.
Nos círculos religiosos, não se descarta um futuro encontro entre Bento XVI e Alexei II, mas todos os observadores concordam que aconteceria em um lugar "neutro". Depois, é possível que aconteça a desejada visita à Rússia. EFE jl pk/an