Eduardo Plastino Rio de Janeiro, 13 mar (EFE).- A ONU recuperou seu prestígio e papel internacional após o grande golpe representado pela Guerra do Iraque, disse em entrevista à agência Efe o ex-subsecretário-geral da organização, Carlos Lopes.
Lopes, assessor político de Kofi Annan durante os últimos 18 meses do mandato do ex-secretário-geral, afirmou que há atualmente "uma grande confiança nas Nações Unidas" para organizar operações de manutenção da paz e buscar soluções para contenciosos, entre ações em outras áreas.
Na entrevista concedida no Rio de Janeiro, onde apresentará nesta quarta-feira um livro do qual é co-autor, o funcionário originário da Guiné-Bissau destacou o trabalho da ONU em operações de manutenção da paz.
"Agora as Nações Unidas têm mais de cem mil soldados de paz, o que é um número recorde e corresponde à segunda maior presença militar no mundo fora de um Estado nacional, seguindo de perto a dos Estados Unidos", disse.
Lembrou, por exemplo, o papel da ONU para pôr fim ao conflito armado entre o grupo xiita libanês Hisbolá e Israel em meados de 2006.
"Também não é uma coincidência que questões tão sensíveis como a do Irã e a da Coréia do Norte estejam na agenda do Conselho de Segurança", afirmou.
Segundo Lopes, os Estados Unidos tentaram se aproximar da ONU pouco depois da invasão do Iraque liderada por Washington, que deixou profundas divisões na comunidade internacional, e particularmente dentro do Conselho de Segurança da ONU.
O organismo, cujas resoluções têm cumprimento obrigatório, é composto por 15 países, dos quais cinco - EUA, Reino Unido, Rússia, China e França - são membros permanentes e têm o poder de vetar qualquer decisão.
Ao invadir o Iraque, em março de 2003, a coalizão liderada pelos EUA com forte apoio britânico, aprofundou uma grande crise no Conselho, cujos outros membros permanentes não aprovavam a ação militar.
No entanto, lembrou Lopes, "logo depois da invasão do Iraque", os Estados Unidos buscaram, e obtiveram, a aprovação, pelo Conselho de Segurança, de um mandato para as tropas no Iraque.
Em muitos assuntos "pode-se dizer que houve uma preocupação em legitimar a política externa americana e seus interesses com resoluções das Nações Unidas, uma busca de consenso que se reflete em assuntos tão importantes para os EUA como o Irã e a Coréia do Norte".
Carlos Lopes, doutor em História pela Universidade de Paris 1 Panthéon-Sobrbonne, foi nomeado em fevereiro diretor-executivo do Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (Unitar), com sede em Genebra.
O funcionário internacional, que foi coordenador-residente das Nações Unidas e representante do Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil entre 2003 e 2005, está no país para lançar o livro "Desenvolvimento para Céticos: como melhorar o desenvolvimento de capacidades", lançado aqui pela Editora Unesp.
Trata-se da versão em português de "Ownership, Leadership and Transformation: Can We Do Better for Capacity Transformation?", obra que lançou em 2003, pelo Pnud, em co-autoria com Thomas Theisohn.
Serão realizadas terá sessões de lançamento no Rio de Janeiro (amanhã), em Brasília (quinta-feira) e em São Paulo (sexta-feira).
EFE ep/ag