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Bento XVI pede a políticos que não apóiem leis contra a família e a vida

13/03 - 12:00 - EFE

Juan Lara Cidade do Vaticano, 13 mar (EFE).- O Papa Bento XVI reitera, em documento divulgado hoje, a indissolubilidade do casamento e o celibato sacerdotal, além de pedir aos políticos católicos que defendam a vida em todas as fases, a família baseada no casamento entre um homem e uma mulher e a liberdade de educação dos filhos.

Os valores, considerados por Bento XVI como "não-negociáveis", são manifestados na Exortação Apostólica "Sacramentum Caritatis", documento com o qual encerrou oficialmente o Sínodo dos Bispos, realizado em outubro de 2005 no Vaticano, cujo lema foi "A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja". O texto foi apresentado hoje no Vaticano.

O documento, apresentado pelo patriarca de Veneza cardeal Angelo Scola, tem 131 páginas e foi preparado pelo Papa com as 50 propostas aprovadas por 256 bispos de todo o mundo que participaram do Sínodo, o primeiro do Pontificado de Bento XVI.

A Exortação começa com um reconhecimento do Concílio Vaticano II, destacando a importância das decisões tomadas então para a renovação litúrgica da Igreja, e está divida em três partes.

Um dos pontos destacados é a "coerência eucarística", à qual chama todo os fiéis, especialmente os políticos católicos, que têm que dar testemunho público da fé, afirma o Papa.

Por isso, ressalta o Pontífice, os políticos devem proteger o respeito e a defesa da vida humana desde a concepção até o fim natural, a família fundada no casamento entre um homem e uma mulher, a liberdade de educação dos filhos e a promoção do bem comum em todas as formas.

"Esses valores são inegociáveis", escreve o Papa. O documento adverte os políticos sobre a "grave responsabilidade" que assumem ao apoiar "leis desiguais".

Para os bispos, não existe coerência eucarística quando se promovem leis "que vão contra o homem, a justiça e o direito natural" e "não se pode separar a opção privada e a pública, colocando-se em contradição com a lei de Deus".

Sobre o casamento, o Papa ressalta que é indissolúvel e que seguindo a práxis da Igreja "não se pode admitir nos sacramentos os divorciados casados de novo, já que seu estado e sua condição de vida contradizem objetivamente a união".

Apesar disso, o documento ressalta que essas pessoas continuam pertencendo à Igreja e as convida a seguir participando da missa, mas sem comungar.

A normativa atual afirma que os divorciados só podem comungar se não mantiverem relações com o parceiro atual e, se este for o caso, aconselha discrição e a ida um templo onde não sejam conhecidos, para evitar que alguém possa se ofender.

Além disso, o Papa pede que se intensifique a formação dos namorados.

Com relação ao celibato, o Santo Padre afirma que respeita a tradição da Igreja Ortodoxa, segundo a qual os sacerdotes podem se casar, mas que no rito latino "se reafirma o sentido profundo do celibato, como uma riqueza inestimável, como sinal que expressa a dedicação total e exclusiva a Cristo", que viveu em estado "de virgindade", ressalta o Pontífice.

Perante a escassez de sacerdotes, o Papa está preocupado, mas considera que uma distribuição "mais unânime" do clero solucionaria "o problema".

O texto também faz referência à celebração da missa, onde deve estar situado o sacrário, como devem ser os templos, cantos que devem ser usados, idioma, entre outros pontos.

O Papa defende o uso do latim nas celebrações internacionais.

"Excetuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, o resto da celebração poderia ser desenvolvida nessa língua", diz o documento, justificando a determinação como uma maneira de unir os fiéis na hora de rezar.

Bento XVI afirma também que o sacerdote deve preparar as homilias com zelo, com conhecimento das Sagradas Escrituras, que os cantos devem ressaltar a beleza do rito e que o gregoriano é um dos que cumpre essa missão. Ele ressalta ainda que os templos devem guardar a harmonia e a unidade entre altar, crucifixo, tabernáculo e púlpito, assim como não ter obstáculos arquitetônicos.

O texto destaca a importância do sacramento da reconciliação e pede aos padres que limitem a absolvição geral e insistam na pessoal. Para isso, afirma que os confessionários devem ser colocados em lugares bem visíveis.

A Exortação também se refere ao rito da paz e diz que, quando a duração vai além do tempo devido, causa confusão durante a missa.

O documento menciona ainda a importância da missa dominical e do descanso de domingo.

O Papa ressalta o ecumenismo e defende a unidade de toda a Igreja, mas lembra que até que isso ocorra, não pode haver intercomunhão com os fiéis de outras igrejas cristãs. EFE jl pp/af




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