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México vai buscar compromisso dos EUA na luta contra o narcotráfico

12/03 - 15:32 - EFE

Alberto Cabezas Mérida (México), 12 mar (EFE).- O presidente do México, Felipe Calderón, vai pedir ao presidente americano, George W.

Bush, mais determinação para combater o narcotráfico, uma das maiores apostas do líder mexicano em seus primeiros meses de Governo.

"A segurança é a chave para uma melhor cooperação com os Estados Unidos em todos os demais campos", disse à agência Efe o especialista em relações internacionais do Instituto Tecnológico Autônomo do México, Rafael Fernández de Castro, afirmando que há sintonia entre os Governos, mas ainda resta espaço para melhoras.

Na visita de trabalho que Bush começa esta noite à cidade mexicana de Mérida, cerca de mil quilômetros a leste da capital, os líderes vão se esforçar para demonstrar que a relação "está bem", embora "seja necessária uma espécie de modernização" nos contatos, destacou o acadêmico.

Fernández de Castro afirmou que agora há no México uma maior sensibilidade em relação ao terrorismo internacional, e disse que a colaboração mais fluente e "formal" em matéria de inteligência com o vizinho do norte tem que ser uma das prioridades, acima de questões de soberania.

Calderón, que lançou uma batalha contra o narcotráfico desde que assumiu o poder, em 1º de dezembro, vai a Mérida com um compromisso de dar fim à insegurança, depois de ter realizado importantes extradições de chefes do crime.

O líder mexicano, que mobilizou cerca de 25 mil soldados em oito estados para enfrentar os cartéis, disse que o combate ao crime organizado será uma batalha longa na qual a colaboração dos EUA é essencial.

De acordo com dados extra-oficiais, o crime tirou a vida de mais de 2 mil pessoas no México no ano passado.

Segundo diversos analistas, o governante mexicano também poderia solicitar a Bush um maior controle do consumo de drogas em seu país.

"Os EUA têm que se comprometer mais (...) na luta contra o narcotráfico, porque nós estamos dando inclusive a vida dos mexicanos", declarou Calderón na semana passada em um encontro com representantes da Sociedade Interamericana de Imprensa.

Uma pesquisa publicada por um jornal nacional há três dias apontou que a melhor avaliação de Calderón em seus primeiros cem dias de Governo está ligada à luta antidroga, liderada pela Secretaria de Defesa Nacional. O órgão alcançou 59% do apoio popular, mais que qualquer outro.

No dia 1º de março, Washington elogiou o combate do México aos cartéis de drogas, em um relatório do Departamento de Estado, e disse que, em 2006, o trabalho conjunto realizado foi "sem precedentes".

Mas o mesmo organismo assegurou, dias mais tarde, que ainda persiste no país uma cultura de "impunidade e corrupção" que menospreza os direitos humanos, uma avaliação que o Governo mexicano não aceitou bem.

Os EUA pretendem que o México continue apoiando a Aliança para a Segurança e a Prosperidade da América do Norte, um esquema de colaboração cada vez mais intensa em segurança para impulsionar o desenvolvimento e a competitividade da América do Norte.

Calderón vai insistir na importância de se discutir o tema da reforma migratória com os EUA, mas não o considera o único assunto em pauta quando, entre outras questões, seu Governo trava uma dura luta contra o crime.

O líder vai reforçar que o México quer ser um aliado confiável de Washington, mas em uma relação de respeito e igualdade.

Calderón está consciente de que Bush fica apenas menos de dois anos no poder, mas não parece disposto a investir em debates com Washington sobre assuntos como a segurança na fronteira, o fomento aos investimentos e a geração de empregos para diminuir a pressão migratória em direção ao norte, disseram especialistas.

"Talvez se não fôssemos o México, se fôssemos outra nação mais afastada, com uma agenda menos intensa, sem uma fronteira de 3 mil quilômetros, talvez esse país poderia se dar ao luxo de ignorar ou de congelar a relação bilateral" até uma mudança na Casa Branca, disse o embaixador mexicano nos EUA, Arturo Sarukhán.

O presidente americano completará no México a quinta e última escala de sua mais extensa viagem pela América Latina, que incluiu Brasil, Uruguai, Colômbia e Guatemala. EFE act is/ma




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