12/03 - 18:27 - Reuters

Por Carol Giacomo WASHINGTON (Reuters) - Estados Unidos e Líbia estão próximos de um acordo de cooperação para um centro de medicina nuclear, mas por enquanto não há planos para um acordo atômico mais amplo, como sugere Trípoli, disse uma fonte norte-americana na segunda-feira.
A Jana, agência de notícias oficial líbia, disse na segunda-feira que um acordo bilateral para ajudar a Líbia a gerar eletricidade seria assinado em breve. Mas uma fonte oficial dos EUA disse à Reuters que a reportagem da agência 'exagera vastamente as coisas.'
'O que dissemos aos líbios depois de eles terem se livrado das suas armas nucleares foi que estaríamos abertos a conversar com eles sobre alguns aspectos dos usos civis da energia nuclear', disse essa fonte, sob anonimato.
Para isso, acrescentou, 'conversamos com eles sobre um centro de medicina nuclear e estamos engajados em sérias discussões sobre nossa disposição em ajudar com esse projeto.'
A medicina nuclear usa materiais radiativos (radioisótopos) para ajudar no diagnóstico e tratamento de várias doenças. Não foi possível sabre o que especificamente o centro fará e quanto isso custará.
O funcionário acrescentou que o governo Bush esperava que o acordo fosse assinado com a Líbia no final da semana passada, e ficou surpreso por isso não ter acontecido.
Em 2003, Trípoli acabou com anos de isolamento ao aceitar a responsabilidade por atentados aéreos da década de 1980 e iniciar o pagamento de indenizações. O país prometeu também abdicar de armas de destruição em massa.
Na época, porém, o líder do país, coronel Muammar Khadaffi, disse que ainda esperava desenvolver um programa nuclear com fins civis. Washington espera que Irã e Coréia do Norte sigam o exemplo líbio.
Em 3 de março, Khadaffi renovou uma recente queixa de que os países ocidentais não teriam recompensando adequadamente a Líbia por sua decisão de abandonar as armas, e que por isso países como Irã e Coréia do Norte não seguiriam seu exemplo.
A Jana disse que a cooperação EUA-Líbia incluiria também a construção de uma usina nuclear, cooperação em projetos de dessalinização de água, pesquisas conjuntas, projetos técnicos e treinamento de técnicos líbios nos EUA.
O funcionário ouvido pela Reuters disse que a cooperação nuclear pode ser explorada no futuro, mas o mais provável é que leve à construção de usinas atômicas no vizinho Egito, que é um aliado tradicional dos EUA, com uma rede que atenderia à Líbia.
Falar em cooperação para energia nuclear seria 'muito prematuro' disse essa fonte, acrescentando: 'A única coisa de natureza concreta que discutimos com os líbios de que eu esteja ciente é o centro de medicina nuclear,' afirmou.
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