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Espanhóis prestam homenagens a vítimas dos atentados de Madri

11/03 - 15:21 - EFE

Madri, 11 mar (EFE).- Os espanhóis prestaram hoje homenagem à memória das 191 pessoas, 51 delas imigrantes, que morreram há três anos nos atentados contra quatro trens que iam para Madri, e honraram os quase dois mil feridos, com diferentes atos em todo o país.

Os reis Juan Carlos e Sofia, acompanhados pelo primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, os Príncipes de Astúrias, e outras autoridades, presidiram o ato solene de inauguração do monumento em memória das vítimas em frente à estação de Atocha, no centro de Madri.

O monumento, um enorme cubo de vidro transparente que reflete a luz, de 11 metros de altura, é formado por 15 mil tijolos de vidro maciço.

A parte exterior da cúpula é feita de vidro luminoso e a interior pode ser visitada sob a superfície, sendo decorada com os nomes das vítimas e com mensagens serigrafadas que foram escritas nos altares improvisados, montados na estação de Atocha após os atentados.

São centenas de mensagens: de solidariedade, de dor, de rejeição e repulsa, alguns de esperança, escritos em diversas línguas, nas quais podem ler frases como "Nunca os esqueceremos" ou "Faz falta a fantasia para suportar a realidade".

Os reis depositaram uma coroa de louros aos pés do monumento e fizeram três minutos de silêncio. Depois foi interpretada a composição do folclore tradicional catalão "O canto dos pássaros", de Pau Casals.

Cerca de 1.500 vítimas e familiares assistiram a breve cerimônia, na qual um dos parentes mostrou um cartaz que exigia a responsabilização pela tragédia do ex-ministro do Interior, Ángel Acebes, e do ex-presidente do Governo José María Aznar.

Mas, além das homenagens oficiais, também foram realizados outros atos pelos moradores de algumas das localidades de onde partiram os trens atacados ou onde explodiram as bombas.

Os moradores do bairro de Vallecas realizaram dois atos de homenagem nas estações de El Pozo e Santa Eugenia, onde as explosões deixaram 89 mortos.

Em outras localidades da Espanha, como Sevilha (Andaluzia, sul), Santiago de Compostela (Galícia, noroeste), San Sebastián (País Basco, norte), as vítimas também foram lembradas com flores, velas e músicas.

O terceiro aniversário dos atentados coincide com o julgamento de 29 acusados depois que sete dos considerados autores materiais se suicidaram em um apartamento de Leganés (arredores de Madri) no início de abril de 2004, ao serem encurralados pela Polícia.

O atentado, atribuído a uma célula ligada à Al Qaeda que atuou em represália à Guerra do Iraque apoiada pelo Governo da Espanha, do então primeiro-ministro José María Aznar, não afastou o perigo que a Espanha enfrenta como alvo dos radicais, segundo um estudo do Real Instituto Elcano, publicado nesta semana.

"A Espanha é hoje mais alvo da Al Qaeda que antes dos atentados de 11 de março de 2004", conclui o documento, que se baseia na freqüência com que o dirigente da Al Qaeda Ayman al-Zawahiri se refere a recuperação de Al Andalus (denominação árabe para a Espanha muçulmana) e no crescimento do "jihadismo" no norte da África.

Além disso, este é um momento de grande tensão política entre o Governo socialista e a oposição conservadora exercida pelo Partido Popular (PP), que acusa o Executivo de fraqueza perante a organização terrorista basca ETA, e que ontem reuniu centenas de milhares de pessoas em uma manifestação.

O "número dois" socialista, José Blanco, reprovou hoje o presidente do PP, Mariano Rajoy, por ter esquecido das vítimas da Guerra do Iraque e do atentado de Madri na manifestação de sábado contra a política antiterrorista do Governo. EFE mlg pp/ma




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