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Relatório critica escalada de ajuda militar dos EUA à América Latina

09/03 - 21:02 - EFE

Washington, 9 mar (EFE).- A ajuda dos Estados Unidos para operações militares e policiais na América Latina aumentou drasticamente entre 1997 e 2007, e a assistência econômica a supera em apenas um terço, segundo um relatório divulgado hoje por várias ONGs.

Em paralelo, o Governo de Washington tentou aplacar os críticos, ao afirmar que, sob a Presidência de George W. Bush, a ajuda à região quase duplicou desde 2001, em claro sinal de seu compromisso com a região.

A análise da ajuda militar americana foi um esforço conjunto do Fundo Educacional do Grupo de Trabalho sobre a América Latina (LAWGEF), do Centro para a Política Internacional (TPI) e do Escritório de Washington sobre a América Latina (WOLA).

A divulgação do estudo ocorre no momento em que Bush, acusado em alguns setores de "abandonar" a região, realiza a viagem mais extensa de seu mandato à América Latina, em parte para fazer frente à influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na zona.

O relatório de 27 páginas, derivado de dados oficiais, critica o fato de que, nos anos 90, a ajuda social e econômica para a América Latina e o Caribe era mais que o dobro da destinada a operações militares e policiais.

Agora, "essa diferença diminuiu de forma significativa: a assistência econômica excede a ajuda militar em cerca de um terço", afirmou o relatório.

Excluindo da ajuda econômica a assistência concedida pelos Estados Unidos sob o programa "Millenium Challenge" e para a luta contra a aids a El Salvador, Guiana, Haiti, Honduras, Nicarágua e Paraguai, a brecha entre a ajuda econômica e a militar reduz em cerca de um oitavo.

Os autores do relatório consideram que Washington deve olhar mais minuciosamente a ajuda militar que concede a uma região onde "o desafio principal não é a segurança em termos militares, mas a pobreza, a desigualdade e a fragilidade das instituições civis governamentais".

Entre 1997 e 2007, os EUA terão dado à América Latina e ao Caribe um total de US$ 7,3 bilhões em assistência militar e policial.

Esse número é o suficiente para colocar quatro países da região na lista dos doze principais receptores deste tipo de ajuda desde 2005.

Essa lista é formada por Iraque, Israel, Egito, Afeganistão, Colômbia, Paquistão, Jordânia, Bolívia, Polônia, Peru, Filipinas e México, nessa ordem.

A ajuda econômica e social nesse mesmo período - incluindo programas regionais - aumentou de US$ 591,4 milhões em 1997 para pouco mais de US$ 1,228 bilhão em 2007.

Segundo os dados, a ajuda militar e policial quase triplicou entre meados dos anos 90 e o início do novo milênio. Desde 2003, oscilou entre US$ 800 e US$ 900 por ano.

Entre 1997 e 2007, US$ 2 em cada US$ 3 destinados à região foram parar ao Exército e às forças de segurança da Colômbia, ou seja, US$ 4,9 bilhões de um total de US$ 7,3 bilhões, indicou a análise.

Grande parte da ajuda foi destinada ao "Plano Colômbia", iniciado em 2000 para combater o narcotráfico e os grupos armados ilegais do país andino.

"Graças ao Plano Colômbia, a ajuda a esse país é quase seis vezes maior do que foi em 1997", informou o relatório.

As ONGs destacaram o papel dos EUA para moldar as instituições militares nos países da região, muitas das quais "tem histórico de ingerência política, corrupção, poderes não supervisionados, além de que muitos abusaram dos direitos humanos com impunidade".

Barbara Rocha, porta-voz do Departamento de Estado americano, destacou que, em termos gerais, "os níveis de assistência americana para a região foram de maneira consistente maiores do que antes do ano fiscal de 2001".

Durante sete anos antes da implementação do "Plano Colômbia", a assistência externa tinha uma média de US$ 800 milhões anuais, disse.

A partir do ano fiscal de 2001, essa média subiu para US$ 1,55 bilhão, "portanto, a assistência externa quase duplicou sob a Presidência de Bush", afirmou Rocha. EFE mp an




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