07/03 - 21:45 - Reuters

Por Laura MacInnis GENEBRA (Reuters) - Nunca as mulheres estiveram tão presentes no mercado de trabalho, mas a maioria continua em empregos mal pagos, e virtualmente todas recebem menos que seus colegas homens, disse a Organização Mundial do Trabalho (OIT) a propósito do Dia Internacional da Mulher, na quinta-feira.
Segundo a agência da ONU, havia no ano passado 100 milhões de mulheres a mais no mercado global de trabalho do que em 1996. Mas, para um total de 1,2 bilhão de pessoas empregadas ou procurando emprego, permanecem discrepâncias substanciais em seu status, segurança trabalhista e salário.
As mulheres representam 40 por cento da força de trabalho mundial -- o mesmo que há uma década -- e a proporção das que buscam trabalho caiu em várias regiões, como Leste Europeu, Ásia Meridional e África Subsaariana.
Elas são mais afetadas pelo desemprego que os homens e representam a maior parte dos 'trabalhadores pobres' do mundo, cujas famílias vivem com menos de um dólar per capita por dia, segundo a OIT. 'O ritmo pelo qual essa lacuna se fecha é muito lento', disse o relatório, divulgado na noite de quarta-feira (horário do Brasil).
Uma das razões para a estagnação da participação feminina na força de trabalho é o fato de que, tendo mais acesso ao ensino superior, as mulheres estão ficando mais tempo longe da população economicamente ativa.
As taxas de alfabetização feminina são menores no sul e no oeste da Ásia, na África Subsaariana e no mundo árabe, regiões onde as mulheres são mais propensas a trabalharem na agricultura. Muitas trabalham como vendedoras em mercados locais e têm mais dificuldade que os homens no acesso ao crédito e à terra, disse a OIT.
Globalmente, o setor de serviços agora emprega mais mulheres que a agricultura ou a indústria. Os homens, porém, tendem a dominar os empregos mais bem pagos nos setores financeiro e imobiliário, enquanto as mulheres trabalham majoritariamente em áreas como serviços comunitários, sociais ou pessoais.
Também é desproporcional a presença de mulheres em áreas com salários baixos ou em queda, disse o relatório, citando uma concentração da força de trabalho feminina nos setores chamados 'cinco Cs', por suas iniciais em inglês: cuidados, caixa, comida, limpeza e clero.
'Muitos desses trabalhos são em empresas menores, não-sindicalizadas, onde as mulheres têm menos poder de barganha e menos possibilidade de melhorar sua situação econômica', afirmou o texto, citando que mesmo em empregos altamente qualificados o salário médio das mulheres é apenas 88 por cento dos homens.
O secretário-geral da OIT, Juan Somavia, disse que 'promover o trabalho decente' deveria ajudar a melhorar a renda e gerar melhores oportunidades de emprego para as mulheres.
'As mulheres devem ter a chance de trabalhar para tirarem a si e a suas famílias da pobreza por meio da criação de oportunidades decentes de empregos', disse o relatório. 'Do contrário, o processo de feminilização da pobreza vai continuar a passará à próxima geração'.
(Por Laura MacInnis)
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