Macarena Vidal Washington, 19 fev (EFE).- Centenas de casais homossexuais se apressaram para formalizarem suas relações nos cartórios de Nova Jersey, que se tornou hoje o terceiro estado dos Estados Unidos a permitir as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.
A lei - que entrou em vigor hoje - requer uma espera mínima de três dias entre a solicitação da permissão e a sua concessão, mas contempla uma exceção para os casais que já contavam com este tipo de união legal em outros estados dos EUA, ou em outros países.
Connecticut e Vermont são os outros dois estados dos EUA que permitem uniões civis desta natureza, enquanto Massachusetts é o único do país que reconhece o casamento propriamente dito entre homossexuais.
Por outro lado, 45 estados aprovaram proibições aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Embora hoje seja feriado nos Estados Unidos (Dia do Presidente) e a maior parte dos cartórios e dependências locais estejam fechados, vários estabelecimentos abriram para que os casais - alguns vindos de outros estados - pudessem solicitar as permissões o mais rápido possível.
Algumas pessoas não quiseram perder tempo e formalizaram suas uniões à meia-noite de domingo, assim que a lei entrou em vigor.
Este foi o caso, na localidade de Teaneck, de Steven Goldstein e Daniel Gross, que já tinham estabelecido sua união civil em Vermont e, portanto, estavam eximidos da espera de 72 horas.
Goldstein, presidente do grupo pró-direitos dos homossexuais "Garden State Equality", afirmou que se trata apenas do primeiro passo: "as uniões civis são como uma canção sem letra, só com música", afirmou ao jornal local "Asbury Park Press".
"Nossa meta é o casamento para os casais homossexuais. Podemos ver no horizonte que será alcançado nos próximos dois ou três anos, por meio da introdução de leis", declarou.
Opinião parecida têm Thomas Mannix, de 44 anos, e Kevin Pilla, de 43, juntos há 24 anos, que hoje apresentaram em Asbury Park seu pedido de união.
A união civil "nos deixa em uma situação de segunda classe. Não é o mesmo" que um casamento, afirmou Mannix, que disse que deixará as celebrações para quando puder chamar a cerimônia de "casamento".
Outros casais citados pelo "APP" se mostram menos preocupados: Richard Clayton, de 46 anos, que solicitava uma permissão para oficializar a união de 15 anos com Ron Fleckenstein, de 43 anos, não vê muita diferença.
"É um grande passo adiante. Não me sinto insultado por não ser um casamento", declarou, ao dizer que para ele o casamento tem uma conotação religiosa e uma união civil é para aqueles que querem o mesmo, mas sem o aspecto eclesiástico.
No domingo, a União de Liberdades Civis dos EUA (Aclu, em inglês) emitiu um comunicado no qual aplaude o novo direito para os casais homossexuais, mas lembra que a iniciativa não é suficiente.
"É um momento maravilhoso, e um passo para a igualdade, mas também marca um momento triste e desperdiçado na história de nosso estado, ao ser o dia no qual institucionalizamos de maneira oficial a discriminação", afirmou o diretor de Assuntos legais da Aclu em Nova Jersey, Ed Barocas.
Segundo Barocas, "caso instaurássemos um sistema de direitos diferentes e puséssemos um rótulo diferente por razões de raça, o denunciaríamos, o chamaríamos de preconceito, uma afronta aos cidadãos e uma aberração".
Em outubro de 2006, a Corte Suprema do estado disse que os casais homossexuais têm direito aos mesmos benefícios que os casais heterossexuais, embora tenha deixado nas mãos do legislativo estadual a decisão sobre se devia se tratar de uniões civis ou de casamentos.
Em dezembro, o congresso estadual optou pela opção mais conservadora e aprovou as uniões civis.
Organizações conservadoras dizem que pressionarão para que seja introduzida uma emenda à constituição estadual que proíba os casamentos entre casais do mesmo sexo.
No entanto, uma pesquisa feita no estado, em novembro, diz que a maior parte da população apóia as uniões civis e se opõe tanto ao casamento "gay" como a uma emenda que o proíba. EFE mv pp/fal