Viena, 7 fev (EFE).- A Polícia austríaca, em colaboração com a Interpol e a Europol, desmantelou uma grande rede de pedofilia pela internet com 2.
361 pessoas envolvidas em 77 países, 15 deles latino-americanos, segundo revelaram hoje fontes policiais.
O coronel da Polícia Federal austríaca Gerald Hesztera disse à Efe que na lista de suspeitos aparecem residentes do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, México, Panamá, Peru, Venezuela, Paraguai, Porto Rico e Espanha.
O porta-voz explicou que a notícia foi divulgada na Áustria porque foi no país que foram realizadas as investigações preliminares.
O ministro do Interior da Áustria, Günther Platter, declarou em entrevista coletiva que a "Operação Pulga", como foi chamada oficialmente o caso, é a maior descoberta de casos de pedofilia na Áustria.
Este é "um dos mais horrendos delitos. É importante que o público não o ignore, mas atue", apontou Platter, após ressaltar que o conteúdo do material confiscado mostra "os mais graves abusos sexuais contra crianças".
Até o momento não se sabe o destino das vítimas e se os autores destes abusos sexuais, que supostamente foram realizados em países da Europa do Leste, já foram detidos.
O maior número de suspeitos está nos Estados Unidos, com 607 pessoas, seguido por Alemanha, com 406; França, com 114; Espanha, com 64 e um número não preciso, mas menor, em 15 países latino-americanos.
Na Áustria, confessaram participação 14 dos 23 suspeitos, entre estudantes, universitários, trabalhadores, funcionários e aposentados.
Em julho de 2006 chegaram os primeiros indícios que conduziram à descoberta do caso, quando o proprietário de um servidor de internet na Áustria denunciou que haviam sido carregados em seu sistema, por piratas cibernéticos, oito vídeos pornográficos.
Em apenas 24 horas, o material foi acessado por mais de 8.000 usuários, sem que o administrador do servidor tivesse conhecimento do conteúdo pornográfico dos vídeos, indicou a Polícia austríaca.
Este banco de dados estava conectado a um vínculo de uma página russa na rede, onde os vídeos eram oferecidos para download pela Internet.
O ministro Platter afirmou que, depois que o conteúdo dos vídeos foi determinado, a página da Internet foi fechada imediatamente e o Ministério obteve a lista de usuários que tinham acessado o material, conduzindo assim à identificação destas pessoas.
As autoridades confiscaram 31 computadores pessoais, sete computadores portáteis, 23 discos rígidos externos e outros sistemas de armazenamento de dados, assim como 1.132 DVDs, 1.428 disquetes e 213 fitas de vídeo com um total de 8 terabytes de material de pedofilia.
"Os vídeos foram produzidos possivelmente na Europa oriental", comentou Harald Gremel, responsável pela investigação da pornografia infantil no Ministério do Interior e à frente da "Operação Pulga".
Gremel revelou que os esclarecimentos de casos relacionados com a pedofilia em países do Leste europeu estão aumentando e que, há poucas semanas, foi criada uma unidade especial similar à austríaca em Moscou para a investigação deste crime.
Segundo o especialista policial, os números do negócio ilegal são difíceis de determinar, mas, para dar uma idéia de sua magnitude, ele disse que em testes simulados de compra na internet foi encontrada uma página na qual os usuários pagavam US$ 89 pelo acesso.
"Em três dias, a página tinha faturado US$ 350.000, e há milhares destes portais", concluiu Gremel. EFE rs pp/ma