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Indústria tabagista tem apoio em Wall Street

03/02 - 15:35 - Lenir Camimura - Último Segundo/Santafé Idéias

Apesar das muitas razões para os cigarros serem vistos como um péssimo negócio, este mercado parece ter um futuro mais brilhante do que nunca. Pelo menos é o que os investidores do Grupo Altria – empresa que já foi conhecida como “Philip Morris” e que produz o cigarro mais famoso do mundo, o Marlboro – esperam.

Segundo informações do jornal The New York Times, a empresa deve anunciar o prazo para se separar da sua divisão de alimentos, a Kraft Foods (que é a segunda maior empresa no ramo alimentício no mundo, perdendo apenas para Nestlé), voltando a ser uma companhia exclusivamente tabagista.

Desde o anúncio da separação da divisão de alimentos, as ações do Grupo Altria valorizaram 10%. Segundo analistas, as boas previsões para a empresa estão baseadas na constatação de que as pessoas gostam de fumar e que, ao contrário dos produtos alimentícios, não há a preocupação de que o cigarro seja substituído por um novo produto que o torne obsoleto.

Além disso, o vício mantém o mercado, a produção dos cigarros é barata, requer quase nenhuma inovação, tem um mercado global e os produtores podem manter os preços sem reduzir os negócios. E no topo da lista está a convicção de que a pior fase dos litígios contra as empresas de tabaco, na Justiça, já passou.

Esse cenário permitiu que a Altria se remodelasse, cortando a Kraft e seus dividendos, dando a oportunidade de usar o imenso montante de dinheiro gerado pelos cigarros para aumentar seus estoques ou comprar outras companhias de tabaco, preferencialmente em outros países.

Na China, por exemplo, a Philips Morris Internacional – unidade da Altria – assinou um acordo, em 2005, que a permite produzir e vender Marlboro para o país, que tem 350 milhões de fumantes.

Estima-se que no mundo inteiro haja 1,3 bilhão de fumantes. Mas alguns advogados especializados em questões de saúde dizem que a diminuição da aceitação por parte da sociedade pode ferir as perspectivas de companhias como a Altria em longo prazo.

Os especialistas norte-americanos acreditam que a indústria de tabaco pode encontrar favor em Wall Street, mas não vão encontrar apoio na arena pública.

O motivo para tanto é que, a cada dia, os lugares públicos onde ainda é permitido fumar são cada vez mais raros. Os governos, não apenas dos Estados Unidos, mas em todo o mundo, têm aprovado leis que proíbem o fumo em bares, hotéis e restaurantes, bem como as taxas para comercialização do cigarro são cada vez mais altas.

O Brasil, por exemplo, assinou um tratado na qual pretende, em até 20 anos, erradicar a produção de tabaco no país. Contudo, os especialistas apontam que, em Wall Street, o cigarro representa dinheiro e, por isso, o produto tem apoio.

Mesmo que haja o posicionamento contrário da Organização Mundial de Saúde, a desaprovação da sociedade e novas legislações contrárias à esta, a indústria tabagista mostra seus resultados – e eles são bons.





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