Paris, 22 jan (EFE).- A candidata do Partido Socialista (PS) ao
Governo da França, Ségolène Royal, tentou hoje retomar sua campanha,
após sua queda nas pesquisas de intenção de voto frente a seu
oponente da direita, Nicolas Sarkozy, contra quem declarou iniciada
a "batalha".
"Dou o tiro de largada desta batalha que quero ganhar com todos
vocês, todos os que consideram que já é hora de acabar com este
esbanjamento, esta brutalidade, esta violência e este liberalismo",
declarou Royal.
Após denunciar as propostas econômicas e fiscais do candidato do
conservador e governante União por um Movimento Popular (UMP), Royal
prometeu que, caso seja eleita, será "a presidente de todas e todos
os que até agora não tiveram voz".
A três meses do primeiro turno das eleições presidenciais, a
líder do PS aproveitou a abertura ao público da sede do partido,
transformada em quartel-general de campanha, para declarar iniciada
a "batalha" e defender seu método de campanha, que suscitou críticas
internas no PS.
A presidenciável anunciou também a "aceleração" dos "debates
participativos em todo o país".
Com 5 mil debates participativos programados, dos quais 2 mil já
aconteceram, Royal fará o balanço no dia 3 de fevereiro, antes de
realizar uma viagem de uma semana por todas as regiões da França.
Anunciou ainda que tornará público seu "projeto presidencial", nos
dias 10 e 11 de fevereiro.
É uma aceleração do calendário: até agora sua equipe de campanha
dizia que o programa presidencial de Royal seria divulgado no final
de fevereiro ou no início de março.
Depois das turbulências dos últimos dias, como a suspensão, por
um mês, de um de seus porta-vozes, que disse brincando que o único
defeito de Royal é seu companheiro, François Hollande, que também é
líder do PS, o ato de hoje uniu os dois diante de militantes e
jornalistas.
Era uma forma de tentar suavizar os comentários sobre os
desacordos entre a candidata e o líder do PS.
O PS também se esforçou para dar a impressão de ser uma família
unida, após as críticas internas ao estilo de campanha de Royal, que
nos últimos dias multiplicou os discursos midiáticos para fazer
frente à poderosa "máquina" de Sarkozy.
Além do ex-ministro Jean-Pierre Chevenement, estava presente o
ex-titular de Finanças Dominique Strauss-Kahn, que foi derrotado por
Royal nas primárias. O outro derrotado, Laurent Fabius, não foi ao
ato, mas mandou um representante.
Enquanto isso, a decisão do militante ecologista e apresentador
de televisão Nicolas Hulot, de não concorrer nas eleições
presidenciais, suscitou alívio entre as fileiras dos candidatos,
especialmente dos de esquerda, que poderiam perder votos para Hulot.
O ecologista anunciou hoje que não se candidataria porque, entre
outros motivos, tinha prometido aos candidatos que não o faria se
estes apoiassem seu "pacto" ecológico, o que foi feito pelos
principais aspirantes, inclusive por Royal e Sarkozy.
A renúncia de Hulot deixa à candidata do Partido Verde, Dominique
Voynet, como a mais capaz, segundo as pesquisas, de fazer propostas
para defender o meio ambiente, seguida de perto por Sarkozy, e em
terceiro lugar por Royal e pelo líder antiglobalização José Bové.
EFE
al pk/gs