Nova Délhi, 14 jan (EFE).- O Governo indiano pretende fechar o
site YouTube, por causa de um vídeo satírico sobre Gandhi, no qual
um humorista imita o líder indiano fazendo um striptease em torno de
uma barra vertical.
No vídeo, o humorista Gautham Prasad, que mora em Nova York,
interpreta Mahatma Gandhi vestido com roupas brancas, e se despindo
diante de um pequeno público, até ficar coberto somente por um
tapa-sexo branco. Por isso, segundo publicou neste sábado o jornal
"Times of India" (TOI), as autoridades pensam em bloquear o popular
site.
Embora algumas fontes tenham dito que o YouTube será bloqueado,
outras afirmaram que simplesmente pedirão ao site que retire o vídeo
do ar.
Esta polêmica causou um debate sobre censura na Índia. O Governo
criticou duramente dois canais de televisão, o "IBN7" e o "Saara",
por divulgarem o vídeo, e pediu "profundas desculpas".
Os comentários na própria página do YouTube revelam a
sensibilidade e o orgulho de cidadãos e pessoas de origem indiana,
feridos diante do que consideram um insulto contra o "Pai da Nação",
como Gandhi é conhecido na Índia.
No entanto, há aqueles que não concordam, e dizem que Gandhi
teria achado o vídeo engraçado, e que não concordaria em ser objeto
de culto, já que o importante não era sua figura, mas sim sua
mensagem.
A repercussão do vídeo até agora foi mais moderada que a revolta
que as famosas charges de Maomé, publicadas em um jornal
dinamarquês, causaram em países árabes e em outras nações de
população muçulmana.
No entanto, o fato de o vídeo ter sido posto na rede é um
problema para os que defendem a imposição de limites para a
liberdade de expressão, já que, como demonstram a cada dia as
páginas de troca de arquivos de mp3, vídeo ou de outros documentos,
é muito difícil controlar o conteúdo disponibilizado na rede.
Se uma página é fechada, os documentos migram para outra, e
voltam a ser baixados livremente pelos usuários que assim desejem,
em um mundo virtual sem fronteiras, que os Governos têm problemas
para controlar.
A polêmica se soma a outros conflitos que o site, recentemente
comprado pelo Google, enfrenta, como a ocorrida em torno do vídeo da
modelo Daniella Cicarelli.
O fato de 2006 ter sido o ano da ressurreição do espírito de
Gandhi na Índia, graças ao filme Lage Raho Munnabhai, protagonizado
pelo polêmico ator de Bollywood Sanjay Dutt, ajudou a levantar a
poeira causada pelo vídeo de Gandhi no YouTube.
No filme, um mafioso chamado Munna muda sua vida adotando um
estilo de vida Gandhigiri (conduta própria de Gandhi), para
conquistar o amor de uma locutora de rádio.
Este filme foi o perfeito exemplo da dicotomia que existe na
Índia sobre os que consideram Gandhi sagrado, e os partidários de
seguir sua mensagem como pauta vital.
O filme inspirou alguns grupos a lutarem contra a injustiça, tal
e como fazem os protagonistas do filme, presenteando com rosas os
culpados e corruptos.
Companhias telefônicas responsáveis por serviços deficientes ou
universidades com condições precárias receberam rosas, assim como um
construtor corrupto recebeu no filme.
Por sua vez, Sanjai Dutt, um ator que teve problemas de
dependência química e foi condenado por sua participação nos
atentados de Mumbai de 1993, identificou-se com seu personagem,
Munna, que muda de vida inspirado em Gandhi.
A "NDTV" mostrou há semanas um Dutt com um ponto vermelho na
testa, com cara de arrependimento e com ares de santidade,
percorrendo diversos templos hindus.
Tal como diz o filme "Lage Raho Munnabhai", uma coisa é Gandhi e
outra o que se faz em seu nome, mensagem que o diretor oferece na
voz do próprio Mahatma: "Se um menino tirar uma pedra de uma estátua
minha, digam-lhe que percorra o país e que derrube todas minhas
estátuas, e que apague meu nome das ruas e dos livros. Que só me
tenha no coração". EFE
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