Filadelfo Martínez
Manágua, 10 jan (EFE).- Daniel Ortega, de 61 anos, iniciou hoje
um mandato presidencial de cinco anos, conquistado com a vitória nas
eleições de 5 de novembro na Nicarágua.
Ortega recebeu a faixa presidencial que seu antecessor, Enrique
Bolaños, entregou previamente ao presidente da Assembléia Nacional,
René Núñez. A cerimônia foi assistida por cerca de duas mil
personalidades de diferentes países, entre elas 16 chefes de Estado
ou de Governo.
A Assembléia Nacional se instalou ao ar livre, na Praça dos
Não-Alinhados Omar Torrijos, em Manágua.
Após três derrotas nas urnas, Ortega e a Frente Sandinista de
Libertação Nacional (FSLN) voltam ao Governo. O partido havia
perdido o poder há 16 anos, em 25 de fevereiro de 1990.
O líder sandinista obteve o triunfo nas urnas com uma estratégia
de dividir os liberais, seus principais adversários. Além disso,
procurou se reconciliar com o líder da Igreja Católica, o cardeal
Miguel Obando. Sua campanha se baseou em "união nacional,
reconciliação, paz e amor".
O líder sandinista contou com o apoio do presidente da Venezuela,
Hugo Chávez, que publicamente apostou na sua vitória nas eleições.
Em relação aos Estados Unidos, Ortega, na reta final da sua
campanha, baixou o tom de sua retórica antiimperialista. Ele se
disse disposto a manter boas relações, se houver mútuo respeito.
Como parte de sua estratégia, também se aproximou do capital e
dos empresários, escolhendo como companheiro de chapa o ex-banqueiro
e deputado liberal Jaime Morales Carazo, que era o negociador da
"contra-revolução" durante o regime sandinista.
Além disso contou com o apoio de 87 das 153 Prefeituras do país,
controladas pelos sandinistas. Ele assinou um acordo com o
presidente do Partido da Resistência Nicaragüense, Salvador
Talavera, que reúne grande parte dos ex-contras.
O novo presidente da Nicarágua foi um dos nove comandantes da
revolução sandinista que, após derrubar a ditadura de Anastasio
Somoza, em 19 de julho de 1979, foi coordenador da Junta do Governo
de Reconstrução Nacional e presidente da República, de 1985 a 1990.
Nascido em Libertad, no centro do país, em 11 de novembro de
1945, Ortega sofreu sua primeira derrota eleitoral nas eleições
gerais de 25 de fevereiro de 1990. Ele perdeu para Violeta Barrios
de Chamorro. Voltou a perder nas eleições de 1996, quando enfrentou
o liberal Arnoldo Alemán, e em novembro de 2001, para Enrique
Bolaños.
Ortega iniciou em 1962 o curso de Direito na Universidade América
Central (UCA) de Manágua, mas deixou as salas de aula para entrar
para a FSLN, fundada em 1961.
Em 1965 foi promovido a membro da direção nacional do FSLN. Em
1967, após participar de um assalto a um banco e de um atentado,
tornou-se prisioneiro de Somoza, passando sete anos na cadeia.
Recuperou a liberdade com dezenas de guerrilheiros em dezembro de
1974, graças à ação de um comando sandinista que tinha tomado como
reféns ministros e diplomatas na mansão de um ministro de Somoza.
Nas primeiras eleições gerais da Nicarágua, em 4 de novembro de
1984, após a queda de Somoza, venceu como candidato da FSLN. A
oposição na época não apresentou candidato, alegando falta de
condições democráticas.
Em março de 1998, Ortega se viu no centro de um escândalo. Foi
acusado pela sua enteada Zoilamérica Narváez, de 30 anos, de abusos
sexuais e agressões físicas e psicológicas desde os 13 anos.
Ortega, que foi defendido por sua mãe, Lidia Saavedra, já morta,
e sua mulher, Rosario Murillo, reivindicou sua imunidade
parlamentar. A juíza do processo considerou que o crime tinha
prescrito e ordenou arquivar o caso.
O dirigente sandinista tem oito filhos, seis homens e duas
fêmeas, com a poetisa Rosario Murillo. EFE
fm mf